#SalveoBoto: MPF atua para impedir a extinção do golfinho
Há mais de dois anos, o Ministério Público Federal (MPF) tem empenhado esforços para reduzir a mortalidade do boto-cinza (Sotalia guianensis) nas Baía de Sepetiba e de Ilha Grande, em Angra dos Reis (RJ). Levantamento do Instituto Boto-Cinza aponta que o animal, símbolo da cidade do Rio de Janeiro, tem apresentado níveis de mortandade crescentes, saltando de 4% em 2005 para 21% em 2015, chegando a cinco botos mortos por mês.
Caso o cenário não seja revertido, a projeção é que a espécie do mamífero seja extinta em dez anos. Para atuar na redução da mortandade do animal, o MPF expediu quatro recomendações em que cobra ações para fiscalização da atividade pesqueira no local, monitoramento aéreo de possíveis agentes poluidores , além da elaboração de um plano de ação para reduzir o número de botos mortos.
Fiscalização – Um dos fatores que mais afetam as taxas de mortalidade dos botos-cinza é o formato e a intensidade da atividade pesqueira nas baías de Sepetiba e de Ilha Grande. A pesca predatória feita por grandes embarcações com redes de arrasto provoca a escassez de alimentos para os golfinhos, além de destruir pedras e deslocar os animais de seu habitat.
Além disso, informações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) mostram que cerca de 90% dos botos capturados acidentalmente são encontrados em redes de emalhe deixadas por pescadores artesanais. As redes são um instrumento de pesca passiva em que animais ficam presos devido ao seu próprio movimento.
Para intensificar a fiscalização das áreas de pesca, o MPF expediu as recomendações Nº 10/2015, Nº 19/2015 e Nº 5/2016. Os documentos recomendam ações de fiscalização rotineira para pesca predatória, clandestina, além da criação de estratégias dos órgãos ambientais responsáveis para diminuir a mortandade de boto-cinza, bem como estudos técnicos sobre o tema.
Poluição - Após averiguar o surgimento de manchas de óleo nos costões das ilhas de Guaíba, Jaguanum e Marambaia, e no canal da baía, habitat da espécie, o MPF expediu recomendação, em março de 2015, para que a Petrobrás realizasse o monitoramento aéreo e marítimo de toda a área e implantasse barreiras de contenção para derramamentos de óleo nas áreas atingidas.
“O lixo polui os mares e prejudica o ecossistema do boto-cinza, deixando-o subnutrido. O tamanho dos botos-cinza vem diminuindo substancialmente, se comparado a outras épocas. Isso se deve não somente à diminuição do estoque pesqueiro, mas também à poluição. A saúde do boto-cinza é um dos indicadores da saúde dos locais onde vivem”, ressalta a procuradora da República Monique Cheker, autora da recomendação.
Campanha – De 18 setembro a 15 de outubro, o MPF promove a campanha #SalveoBoto, nas redes sociais do órgão, com vídeos, posts e matérias sobre o tema. Realizada em parceria com a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e o Instituto Boto Cinza, a campanha estimula o uso da hashtag #SalveoBoto com objetivo de mobilizar internautas e organizações a derem visibilidade ao risco de extinção do boto-cinza.
Saiba mais em www.salveoboto.mpf.mp.br

