Exposição na PRR5 celebra os 70 anos do nascimento de Pedro Jorge
No dia em que o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva completaria 70 anos, 21 de setembro, a Procuradoria Regional da República da 5º Região (PRR5) deu início à exposição "Pedro Jorge – 70 anos". A mostra, organizada no hall do edifício-sede, reúne fotos da sua infância, do período em que foi seminarista e também da época em que estudava na Faculdade de Direito do Recife (FDR). A exposição homenageia a memória do procurador, que se tornou uma referência no combate à corrupção no Brasil por sua coragem e disposição em lutar em favor da verdade. A exibição, que tem a intenção de expressar a importância do seu legado para o Ministério Público Federal, ficará no hall da Procuradoria até o dia 30 de setembro.
Alagoano, tendo se mudado para Pernambuco ainda na juventude, Pedro Jorge é lembrado por seus companheiros por ter sido um homem culto e simples, dedicado ao trabalho e à família e fiel a valores como honestidade e verdade. Na academia, transitava livremente entre os grupos formados no período da faculdade de direito, na qual ingressou após conquistar a primeira colocação no vestibular unificado da Universidade Federal de Pernambuco. "A figura de Pedro Jorge foi exemplo de sacrifício em prol da concretização da justiça”, afirmou o diretor da FDR, Francisco de Queiroz Bezerra Cavalcanti. Durante o período acadêmico, Pedro Jorge escreveu inúmeros artigos e, já no exercício da carreira de procurador da República, elaborou pronunciamentos como fiscal da lei.
Em 1975, Pedro Jorge passou a integrar o MPF, onde atuou com vigor e determinação reconhecidos e citados até hoje por quem o conheceu. Mesmo com sua fé cristã, não deixou de denunciar um sacerdote católico por indícios de crime contra o pratimônio histórico-cultural da União. O arcebispo de Olinda e Recife, Dom Antônio Fernando Saburido, compartilhou suas lembranças de Pedro Jorge: "Tive a honra de conhecer e conviver com Pedro Jorge, que foi religioso do Mosteiro de São Bento de Olinda. Era um ser humano alegre, simples e descontraído, com grande sensibilidade para as questões sociais”, comentou o arcebispo.
Apesar do apelo direto de um senador da República, Pedro Jorge denunciou criminalmente os principais envolvidos no desvio de dinheiro da agência do Banco do Brasil de Floresta, no Sertão de Pernambuco, conhecido nacionalmente como "Escândalo da mandioca". Foi em decorrência dessa investigação que acabou assassinado no dia 3 de março de 1982. Sua determinação é exemplo até hoje para os membros do MPF. "Homenagear a memória de Pedro Jorge significa valorizar um passado do Ministério Público Federal que nos ajuda a orientar o presente e iluminar o futuro da instituição”, declarou o procurador-chefe da PRR5, Antônio Edílio Magalhães Teixeira.
As suas filhas, Roberta e Marisa, enxergam na memória do pai um modelo de cidadão íntegro para o país. "Pedro Jorge passou por esse mundo muito rápido. Deixou saudade, um amor sem tamanho em nossos corações e uma grande vontade de tê-lo conhecido mais. Deixou também em nós a semente do profundo respeito pelo ser humano e pela vida em integridade”, expressaram as irmãs.

