MPF promove tuitaço contra PEC que dispensa licenciamento ambiental para empreendimentos
O Ministério Público Federal no Piauí (MPF/PI) participou do tuitaço promovido pela Procuradoria Geral da República (PGR), hoje, 16, às 15 horas, contra a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição n° 65, de 2012 (PEC 65/2012). O assunto ficou no topo daqueles mais comentados do Twitter. A mobilização quer chamar a atenção para o retrocesso que a aprovação da PEC representa.
Na prática, a PEC 65/2012 descaracteriza e retira a obrigação de realização do processo de licenciamento ambiental e impede o controle posterior sobre o cumprimento das obrigações socioambientais pelo empreendedor. Para o MPF, a PEC 65/2012 subverte o Estudo Prévio de Impacto Ambiental – o EIA e fulmina o devido processo de licenciamento ambiental, atualmente composto por três fases. Com a hashtag #PEC65Não, o tuitaço quis dar visibilidade ao tema para que a sociedade saiba do que se trata e de como essa proposta, se aprovada, pode prejudicar o meio ambiente e as coletividades locais.
A ação no Twitter faz parte da mobilização, em todo país, pela eficácia do licenciamento ambiental. Além de publicações em redes sociais, o MPF articula uma ação coordenada com a realização de audiências públicas, em parceria com os MPs estaduais e demais agentes locais, para dar ampla publicidade ao tema, debatê-lo com a sociedade e alertar para os riscos da aprovação da PEC 65/2012.
Além da PEC, serão debatidas outras propostas de alterações de atos normativos referentes ao Licenciamento Ambiental em tramitação no Congresso Nacional (PL nº 654/2015 do Senado Federal e PL nº3729/2004 e apensados da Câmara dos Deputados), bem como a proposta de alteração das Resoluções 01/1986 e 237/1997, em tramitação no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
Vídeos – Diversos membros do MPF, que atuam na temática, já vieram a público para expôr argumentos contrários à aprovação da proposta. Em vídeos publicados no canal do MPF no You Tube, os membros explicam que a PEC é um retrocesso às leis ambientais já consolidadas. Em depoimento gravado, a coordenadora da 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, subprocuradora-geral da República Sandra Cureau observa que “se a tragédia de Mariana (MG) ocorreu mesmo tendo havido licenciamento ambiental, imagina o que pode ocorrer se não for obrigatório o licenciamento”.
Além de Sandra Cureau, os procuradores da República no Rio de Janeiro Felipe Bogado, Leandro Mitidieri e Monique Cheker, e o procurador regional da República João Akira (PRR1) concordam que a mera apresentação de um estudo de impacto ambiental para autorizar a realização de uma obra, como prevê a PEC 65, fragiliza ainda mais o sistema de garantias e direitos. Assista aos depoimentos aqui: https://www.youtube.com/playlist?list=PLbbVbiVtNJf2CQFXClqD-1xVKa8lMXyqd.
Fonte: PGR

