Em ação movida em Rio Grande (RS), 15 pessoas são condenadas por associação ao tráficnternacional de entorpecentes
Em ação criminal movida pelo Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal em Rio Grande (RS) condenou 15 pessoas pertencentes à organização criminosa voltada ao tráfico internacional de drogas nas cidades fronteiriças do Chuí (Brasil) e Chuy (Uruguai). Dos 24 réus inicialmente denunciados, além dos 15 que foram condenados, cinco réus (quatro uruguaios e um brasileiro) respondem em processos cindidos do original (visando à celeridade do feito) e quatro foram absolvidos em primeira instância, decisão da qual o MPF recorreu, buscando a condenação de todos.
A condenação, nesse processo, foi em relação ao crime de associação criminosa. Somadas, as penas dos condenados ultrapassam 100 anos de reclusão, sendo que 12 deles cumprirão pena em regime inicial fechado. Os demais crimes, relativos ao tráfico internacional de drogas tiveram condenações distintas, em outras ações penais.
Operação Strike - A investigação realizada no âmbito da Operação Strike apurou que a organização era comandada por um detento que agia do interior do Presídio Estadual de Pelotas e utilizava uma casa de câmbio uruguaia para converter em moeda nacional os valores originários do exterior.
A quadrilha seguia uma rígida hierarquia e divisão de tarefas. Foram identificados postos de fornecedores, articuladores/intermediários, doleiros, responsáveis pela externalização dos entorpecentes pela fronteira (travessia), transportadores (freteiros/motoristas), operacionais/auxiliares e compradores/distribuidores.
As investigações resultaram na apreensão de 1,3 tonelada de droga (maconha, cocaína e insumos, e crack), armas e munições, veículos (na sua maioria clonados), além de valores em dólares e pesos uruguaios. As drogas eram destinadas ao Uruguai, enquanto o armamento era utilizado na guerra travada contra outro grupo criminoso da região (foram registrados 23 homicídios em pouco mais de um ano na região).
Para o procurador da República Daniel Luis Dalberto, “essa ‘empresa’ criminosa demonstrou na prática que há uma série de crimes diversos ocorrendo concomitantemente ao tráfico de drogas, que apesar de terem foco e consequências principais na fronteira do Chuí, impactam outras regiões do estado, do país e também do país vizinho”.
Principais inquéritos policiais derivados da operação e relacionados ao grupo criminoso:
Nº 5006240-12.2017.4.04.7101 (apreensão de 20,430 kg de cocaína);
Nº 5000317-68.2018.4.04.7101 (apreensão de 397,835 kg de maconha, 5,572 kg de cocaína, 235 g de crack, 27 munições calibre .45 e três veículos clonados);
Nº 5000587-92.2018.4.04.7101 (apreensão de 555 kg de maconha e um veículo clonado);
Nº 063/2.18.0000267-3 (apreensão de 125 kg de maconha, dois veículos e uma arma de fogo);
Nº 5001888-74.2018.4.04.7101 (apreensão de U$ 27.423,00 dólares americanos, $40.000,00 pesos uruguaios e um veículo);
Nº 5001946-77.2018.4.04.7101 (apreensão de 152,7 kg de maconha, 90 g de cocaína e um veículo clonado);
Nº 5002865-66.2018.4.04-7101 (apreensão de 10,4 kg de cocaína);
Nº 5004457-48.2018.4.04-7101 (apreensão de 743 munições para arma de fogo de diversos calibres e 100 g de cocaína);
Nº 5005662-15.2018.4.04-7101 (apreensão de 4,986 kg de substância com características de cafeína – insumo da cocaína – e cinco armas de fogo de uso permitido).

