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MPF nas escolas: projeto debate igualdade de gênero com alunos da Escola Técnica de São Paulo

Procuradora regional mostrou como a disparidade entre os sexos pode impactar negativamente não apenas a vida das mulheres, mas também a dos homens

Menino usa azul, joga futebol e não pode chorar. Menina tem de vestir cor-de-rosa, brincar de boneca e ser sempre meiga e sensível. Como esses estereótipos de gênero afetam a vida de homens e mulheres? Foi esse o debate proposto pela procuradora regional da República Geisa de Assis Rodrigues durante palestra na Escola Técnica Estadual de São Paulo (ETESP) na última quarta-feira (23). Cerca de 600 estudantes do ensino médio participaram do encontro que integra o projeto MPF nas Escolas, desenvolvido desde 2013 pela Procuradoria Regional da República da 3ª Região (PRR3). 

A procuradora abordou o tema demonstrando como a disparidade entre os gêneros pode impactar negativamente a vida de todos. Ela iniciou sua fala dizendo que a igualdade é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal. Porém, destacou, que vemos hoje no Brasil um divórcio entre legislação e a realidade, já que em diversas situações as mulheres se encontram em uma posição de inferioridade em relação aos homens. 

Geisa apontou que um dos motivos pelos quais isso acontece é porque há uma desigualdade no papel que se espera que cada um dos gêneros desempenhe, sendo que há uma valorização das tarefas socialmente destinadas aos homens. A procuradora explicou que a definição do que é um comportamento masculino ou feminino é, na verdade, uma construção cultural que começa ainda na infância e que pode acabar limitando as experiências, já que faz com que as pessoas não explorem todo o seu potencial. 

As consequências desse cenário são muitas: além de deixarem a escola mais cedo, ainda na juventude, os meninos têm quase 14 vezes mais chances de morrer do que uma menina. Para elas, é destinada a função de cuidar da casa e dos filhos e, mesmo quando exercem a mesma profissão, ganham um salário menor do que o dos homens. “Temos um histórico patriarcal que vem contra as mulheres, mas todos nós perdemos com a desigualdade de gênero”, concluiu a procuradora. 

Ao final da conversa, Geisa explicou aos alunos o que faz o Ministério Público para promover a igualdade de gênero. Ela falou sobre a Procuradoria Regional Eleitoral, que fiscaliza o cumprimento da cota destinada às candidaturas femininas aos cargos legislativos, e também sobre o Ministério Público do Trabalho, que supervisiona se as empresas estão pagando salários diferentes para mulheres e homens que cumprem a mesma função. 

Para Márcia Xavier Cury, coordenadora pedagógica do ensino médio na ETESP, a importância de promover palestras como essa é ampliar a visão de mundo dos estudantes. “Gostei muito do contraponto apresentado pela procuradora, de mostrar para eles, inclusive com estatísticas, como é um problema que também afeta os meninos”, elogiou.

MPF nas Escolas - O projeto MPF nas Escolas, inserido no Painel de Contribuição da PRR3, visa fomentar o diálogo entre a instituição e estudante, de modo que estudantes de diversos níveis conheçam a atuação do MPF como defensor dos direitos constitucionais. Nesses cinco anos, alunos do ensino fundamental, médio e superior já receberam palestras de procuradores da PRR3. 

O MPF tem por missão defender os direitos sociais e individuais indisponíveis dos cidadãos, como meio ambiente, direitos humanos, direitos de minorias, índios, defesa do patrimônio público, saúde, educação, patrimônio histórico, entre outros. O objetivo é sempre levar um destes aspectos aos estudantes, nos encontros promovidos. A PRR3 pretende promover pelo menos mais dois encontros com estudantes da ETESP ainda no primeiro semestre deste ano.

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