Você está aqui: Página Inicial / Notícias do Portal do MPF / MPF ingressa na Justiça para impedir construção de hidrelétrica na região de Barra do Garças (MT)

MPF ingressa na Justiça para impedir construção de hidrelétrica na região de Barra do Garças (MT)

A ação, que visa preservar espécie de boto, é a segunda ajuizada pelo MPF

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública (ACP) contra a empresa Energias Complementares do Brasil Geração de Energia Elétrica (ECBrasil), Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), União e contra o estado de Mato Grosso. A ação tem o objetivo de impor aos entes que se abstenham de permitir ou realizar qualquer ato tendente à instalação da UHE Boaventura, por conta dos altos impactos negativos, diretos e irreversíveis que possam vir a atingir a nova espécie de boto que habita o local, o Boto do Araguaia ou Inia Araguaiaensis, caso seja iniciada a instalação do empreendimento. É a segunda vez que o MPF ingressa com ACP, com o mesmo objetivo, na região.

A ACP é resultado do Inquérito Civil Público 1.20.004.000049/2013-15, instaurado com o objetivo de apurar a competência para o procedimento de licenciamento prévio da UHE Boaventura, os impactos em terras indígenas próximas, os danos ambientais regionais e o impacto negativo significativo (nas fases de construção, enchimento e operação) sobre a população de botos (Inia Araguaiaensis ou Inia Geoffrensis, este ameaçado de extinção).

No decorrer do inquérito constatou-se que os estudos apresentados pelo empreendedor ignoraram a existência da nova espécie de boto, o Inia Araguaiaensis (boto do Araguaia). O empreendimento, caso instalado, trará um alto impacto negativo sobre a população de botos, tanto durante a fase de construção da barragem quanto na fase de execução, fato comprovado por meio do Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima).

Além disso, a nova espécie possui população e habitat menores que o Inia Geoffrensis, e poderá ser isolada e desaparecer com os empreendimentos hidrelétricos na bacia do rio Araguaia. Estima-se que a população de botos do Araguaia é de apenas cerca de 600 a mil indivíduos. Em razão disso, os próprios estudos publicados sobre a espécie alertam que o Boto do Araguaia já nasceu ameaçado de extinção.

Diante disso, o MPF aguarda o julgamento procedente da ACP para que os requeridos se abstenham de promover a instalação da UHE Boaventura, sob pena de imposição de multa no valor de R$ 1 milhão pelo descumprimento da sentença, e multa diária no valor de R$ 50 mil.

login