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Liberdade de expressão não autoriza qualquer discurso de ódio, diz PFDC

Carlos Alberto Vilhena analisou representação na qual constam trechos de discursos de professores de escola preparatória para concurso de policiais militares e federais

A Procuradoria Federal dos Diretos do Cidadão (PFDC) – órgão do Ministério Público Federal (MPF) – considera graves os discursos de professores de curso preparatório para concurso público (AlfaCon) destinado ao preenchimento de vagas para policiais militares e federais. As falas dos instrutores analisadas tratam de tortura, confissões de homicídio e referência a chacinas cometidas por policiais.

Enviada pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol), a representação foi remetida ao Ministério Público de São Paulo, local da sede da empresa Jafar Sistema de Ensino e Cursos Livres, titular do nome fantasia AlfaCon Concursos Públicos. No documento, Vilhena esclarece também que a PFDC não tem atribuição para atuar na esfera judicial, devendo os crimes de incitação ao crime e de apologia de crime ou criminoso, mesmo que veiculados pela internet, serem processados e julgados pela Justiça estadual.

Na decisão, o PFDC reproduz parte das falas de instrutores do curso, que fazem apologia a crimes:

- “Bandido ferido é inadmissível chegar vivo ao pronto-socorro”.
- “Todos que socorri chegaram mortos, todos".
- “Não tenho dó e torturo até umas horas”.
- “Nada como uma tortura bem aplicada para saber onde está [a droga]”.
- “São 28 [homicídios] assinados, um embaixo do outro, mais uns 30 que não assinei [risos]”.
- “Tem uma granada de luz e som que você só pode jogar a uma quadra, não pode em local confinado. Falei para dizer de novo e o cara falou. Joguei lá e fechei”, conta.
- “Eu dei porrada em todo mundo: homens, mulheres, crianças, velhos e adolescentes, todo mundo tomou".

Para Vilhena, os fatos em análise ultrapassam os limites de exercício da liberdade de expressão, ou mais especificamente da liberdade de cátedra, “representando – se comprovados após o devido processo orientado pela garantia, aos acusados, da ampla defesa e do contraditório – verdadeira incitação e apologia a crimes e, não bastasse isso, a atos que representam graves violações aos direitos humanos”.

Segundo o PFDC, é preciso que sejam apuradas as condutas denunciadas, e punidos os responsáveis. Vilhena afirma ainda que o fato de terem sido proferidos no contexto da preparação de candidatos a cargos públicos de policiais agrava o potencial de concretização das violações incitadas, pois há comprovado aumento da letalidade policial no Brasil.

Íntegra da decisão

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