Agentes mirins no combate à dengue inspecionam dependências da PR/DF
A Procuradoria da República no Distrito Federal (PR/DF) recebeu, na manhã da última quarta-feira (30), a visita de cerca de 80 alunos do Colégio Dínatos COC Brasília. A iniciativa é parte do projeto Agentes Mirins no Combate à Dengue, idealizado por dois professores da instituição. Durante quase duas horas, os estudantes visitaram parte das instalações do edifício em busca de possíveis focos do mosquito aedes aegypti. A visita incluiu ainda a abordagem de alguns servidores que receberam explicações sobre as formas de se prevenir, a proliferação do mosquito e a distribuição de materiais gráficos produzidos pela escola. A atividade foi encerrada no auditório do órgão, onde os agentes mirins puderam aprender um pouco sobre o trabalho do Ministério Público Federal (MPF).
Como o colégio Dínatos COC fica ao lado da Procuradoria, o deslocamento dos estudantes foi feito a pé. Assim que chegaram à entrada principal, no andar térreo, eles ouviram as instruções de como funcionaria a visita e, em segunda, foram divididos em grupos. Uma parte dos estudantes vistoriou o interior do prédio e o restante teve a missão de checar se havia focos do mosquito no lado externo do edifício. Os banheiros, a Fundação Pedro Jorge (FPJ) e o Serviço de Atendimento ao Cidadão da PR/DF (SAC) foram alguns dos locais visitados pelos alunos.
Em cada grupo, havia crianças com tarefas específicas. Enquanto alguns procuravam por possíveis criadouros usando inclusive lupas, outros anotavam as descobertas ou distribuíam o material explicativo preparado por eles. Cuidadosos, os estudantes usavam luvas e traziam pequenos saquinhos com areia, sabão em pó, sal e borra de café, que foram despejados nos locais onde havia água. Durante toda a “expedição”, os alunos eram orientados pelos professores e coordenadores da escola.
João Gabriel, de 12 anos foi um dos integrantes do grupo que visitou a parte interna do prédio. O estudante do 7º ano do ensino fundamental tinha a missão de registrar os focos. Nas mãos, ele carregava uma prancheta e folhetos com explicações sobre os riscos do aedes aegypti. Fez questão de distribuir o material e de questionar se estava tudo bem no ambiente e se as pessoas que trabalham na sala tomam cuidado para evitar o mosquito. Em seguida, ao concluir que os colegas de expedição não encontraram nenhum foco no local, ele deixou o espaço parabenizando o servidor.
Ao ser questionado sobre o projeto, o agente mirim foi taxativo. “É interessante sair da escola, ver o que as pessoas fazem. É sempre bom conhecer coisas novas”, afirmou. Sobre as doenças transmitidas pelo mosquito, João Gabriel conta que nunca teve. “Graças a Deus, não”, mas logo vem o ensinamento. “Eu moro em apartamento, então é mais difícil ter focos do mosquito. Tem o pessoal do condomínio que cuida. Mas todo mundo tem que fazer a sua parte”, completa.
A professora de ciências e biologia Adaíse Amélia coordenou o projeto dos agentes mirins. Ela explica que a ideia tomou corpo no início do mês de março, após trabalhar o tema em sala de aula: “A partir do interesse demonstrado pelos alunos amplificamos o estudo para estimular a formação de uma consciência à preservação da saúde, além de desenvolver habilidades de combate e prevenção à dengue”, conta. “Fiquei surpresa com a repercussão positiva dos pais - muitos se envolveram ajudando a implementar em casa as medidas ensinadas pelos filhos”, ressalta a docente. O aprendizado interdisciplinar foi complementado pelo professor de matemática Daniel Simon, que trabalhou conceitos como: uso do GPS para demarcar focos encontrados, a construção de gráficos a partir dos dados colhidos e a leitura e interpretação de tabelas.
Novo aprendizado
A visita dos estudantes teve ainda um momento de aprendizado sobre o trabalho da PR/DF. Durante cerca de 20 minutos, o procurador-chefe, Marcus Marcelus, conversou com o grupo. Logo no início da apresentação, o procurador explicou que o Ministério Público faz parte da estrutura do Estado, mas que não integra nenhum dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Frisou que a atuação é de fiscalizar o cumprimento das leis. “É como se o Estado fosse uma empresa que contratou uma pessoa para ficar o tempo todo observando e fiscalizando o que está sendo feito de errado”, comparou.
Usando uma linguagem simples, Marcus Marcelus citou exemplos da atuação do MPF e dos MPEs, destacando sempre o papel de defensor de direitos de minorias como os indígenas, homossexuais e mulheres, que ainda tem direitos desrespeitados no país. O procurador chamou a atenção para a importância da participação de crianças e jovens na formação de uma verdadeira cidadania. “Não adianta a gente pensar que o governo, o Estado vai fazer sozinho. Existem pesquisas que mostram que os pais dirigem melhor, que respeitam mais as leis de trânsito, quando estão com os filhos no carro. Com a dengue, eu tenho certeza que é a mesma coisa. Vocês podem e devem ajudar”, afirmou.
Empolgados, vários estudantes fizeram perguntas ao procurador. Eles quiseram saber, por exemplo, se o MPF atua em casos de racismo, de grilagem de terras e até como funciona a utilização de grampos telefônicos em uma investigação. O clima de descontração tomou conta do procurador que, ao final, se mostrou surpreso com o interesse do grupo e, mais uma vez, ressaltou a importância da iniciativa e da participação dos estudantes. “Eu quero parabenizar a escola pelo trabalho e pelo interesse de vocês que, mesmo tão jovens já estão engajados e antenados com assuntos importantes”, encerrou. Gibis da Turminha do MPF também foram distribuídos aos alunos, com mais informações sobre o papel da instituição e jogos didáticos que fazem referência a essa atuação.
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