Ofício do MP Eleitoral leva Pernambuco a adiar possibilidade de eventos para até 1,5 mil pessoas
O Governo de Pernambuco anunciou, nesta sexta-feira (9), o adiamento, de 3 de novembro para 1.º de dezembro, da autorização de eventos com até 1,5 mil pessoas no Estado. A decisão é resultado do ofício enviado ontem (8) pelo procurador regional eleitoral de Pernambuco, Wellington Cabral Saraiva, ao governador Paulo Câmara, questionando os critérios técnicos que amparariam essa decisão durante a pandemia de covid-19 e se a medida abrangeria atos de campanha eleitoral. No momento, a permissão é de encontros com, no máximo, cem pessoas.
No documento, Wellington Saraiva destacava que, caso se confirmassem as notícias divulgadas na imprensa sobre essa flexibilização, o efeito seria devastador para os esforços do MP Eleitoral e da Justiça Eleitoral de prevenir atos de campanha que facilitem a propagação do novo coronavírus, até pela impossibilidade de fiscalização de todos os atos ao redor do Estado.
Mesmo antes do início da campanha eleitoral, em 27 de setembro deste ano, o Ministério Público Eleitoral em Pernambuco teve conhecimento de inúmeros atos de campanha que não respeitaram as regras sanitárias estaduais vigentes (uso obrigatório de máscaras, eventos com, no máximo, cem pessoas e distanciamento social, entre outras). “Com o início da campanha, essas situações têm aumentado e, mesmo sem conhecimento técnico em epidemiologia, parece evidente e inevitável que elas terão impacto no número de pessoas infectadas e mortas no estado”, destaca Wellington Saraiva.
Promotoras e promotores eleitorais estão se esforçando para prevenir e reprimir tais atos de desrespeito à saúde, à vida e às regras eleitorais, porém, os meios disponíveis para fiscalização dos 185 municípios pernambucanos são limitados. “Na hipótese de haver tal flexibilização para eventos com até 1,5 mil pessoas e de se poder associar-lhe o aumento de casos de covid-19 em Pernambuco, poderá haver consequências jurídicas para as autoridades que hajam concorrido para o fenômeno, a serem oportunamente examinadas, tudo a depender do desenvolver dos acontecimentos”, assinala Wellington Saraiva.

