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MPF e MPBA atuam judicialmente para mudança de gestão do Hospital Regional de Juazeiro (BA)

Justiça Federal fixou prazo de 48h para que Estado da Bahia se manifeste sobre pedido de liminar feito em ação civil pública

Em atenção a pedido feito em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) em Petrolina (PE)/Juazeiro (BA) e pelo Ministério Público da Bahia (MPBA), a Justiça Federal fixou prazo de 48h para que o Estado da Bahia se manifeste sobre requerimento de liminar feito no âmbito da ação, ajuizada em agosto, mas que só teve seu sigilo retirado ontem (24) pela Justiça. MPF e MPBA pedem que seja decretada intervenção judicial no Hospital Regional de Juazeiro (HRJ), por 180 dias, prorrogável por igual período, por meio da nomeação de junta interventora para a gestão da unidade hospitalar.

A atuação dos MPs na esfera cível ocorre paralelamente à criminal – no dia 19, foi deflagrada a Operação Metástase, que apura irregularidades no uso de verbas públicas destinadas à gestão do HRJ. Com a deflagração, os principais gestores do hospital foram presos preventivamente, bem como alguns coordenadores e servidores afastados. “A preocupação do MPF e do MPBA é afastar a associação gestora e possibilitar melhor gestão dos recursos públicos repassados ao hospital”, explica a procuradora da República Ticiana Sales Nogueira, que acompanha o caso.

De acordo com as investigações, suposto esquema criminoso vem ocorrendo mediante desvio de recursos públicos, fraude em licitação e apropriação indébita previdenciária implementado por grupo que atua no âmbito da administração do hospital. Há indícios de que um único grupo empresarial tenha dominado a gestão de inúmeras unidades da rede estadual de saúde sob gestão indireta, por intermédio de diferentes organizações sociais de saúde (OSS).

Na semana passada, o MPF expediu recomendação para que a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia designasse, de imediato, servidores estaduais que pudessem ocupar a direção e coordenação de enfermagem, bem como outras atividades que julgasse convenientes, do HRJ.

Ao responder sobre a recomendação, por meio de sua Procuradoria-Geral, o Estado da Bahia informou que não poderia designar servidores estaduais para assumir a gestão, providenciando, após a constatação de irregularidades que sugerem o descumprimento de cláusulas contratuais, a suspensão do contrato de gestão da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância Castro Alves (Apmica). No início desta semana, por meio de ofício enviado ao MPF pela Secretaria de Saúde do Estado, anunciou ainda que mudará a gestão do HRJ da Apmica para a entidade Obras Sociais Irmã Dulce (Osid).

Rede Peba – O HRJ integra a Rede Interestadual de Atenção à Saúde do Vale do Médio São Francisco (Rede Peba), sendo a única referência para alguns serviços na região, não podendo parar nem reduzir suas atividades. Criada em 2009, a Rede Peba reúne municípios pernambucanos e baianos, integrando serviços da área de saúde e buscando otimizar os atendimentos de alta complexidade da região do Vale do Médio São Francisco.

Processo nº 1037012-59.2020.4.01.3300 – Subseção Judiciária de Juazeiro

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