MPF inspeciona Estação de Tratamento de Esgotos e Lagoas da Barra da Tijuca (RJ)
O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP/RJ) inspecionaram, juntamente com técnicos da concessionária Iguá Saneamento e da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), o funcionamento da Estação de Tratamento de Esgotos da Barra e a situação da poluição na Lagoa do Camorim, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro.
A inspeção no complexo lagunar foi acompanhada pelo biólogo Mário Moscatelli e por técnicos da Iguá, responsável, a partir de 2022, por operar o sistema de coleta e tratamento de esgoto na região. A Lagoa do Camorim apresenta alto grau de poluição e assoreamento, decorrentes do lançamento de esgoto e lixo doméstico nos rios que desaguam no complexo.
Os promotores e procuradores do MPF e do MP Estadual seguiram, depois, para a Estação de Tratamento de Esgotos da Barra da Tijuca, cujo funcionamento também é acompanhado pelo MPF em ação judicial e inquérito civil.
“No próximo dia 7 de fevereiro, a operação do sistema será transferida da Cedae para a Iguá, então é um momento importante para constatar a atual situação das lagoas e o funcionamento da ETE”, afirma o procurador da República Sergio Gardenghi Suiama, que participou da inspeção.
Ações judiciais - O Ministério Público Federal (MPF) e o Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente do Ministério Público Estadual (GAEMA/MP/RJ) obtiveram, em 2021, a inclusão, no edital de concessão do serviço de esgoto no estado, da obrigação de investimento de R$ 250 milhões em ações de despoluição do sistema lagunar da Barra da Tijuca e Jacarepaguá. As ações, assumidas pela Iguá, deverão incluir obras de dragagem do lodo, sedimentos finos e lixo, numa extensão de dez quilômetros dos trechos baixos dos rios poluídos da região e no fundo das lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca e Marapendi.
A Iguá deverá também, no prazo máximo de doze meses, realizar estudo sobre as condições ambientais do sistema lagunar, e propor ações de curto, médio e longo prazos para combater a poluição causada pelo lançamento de esgoto nos rios e canais pluviais que desaguam nas lagoas. Após esse prazo, a concessionária dará entrada no pedido de licenciamento das obras de dragagem o qual, uma vez aprovado, deverá ser executado em até três anos.
Ainda segundo os termos negociados pelo MPF e pelo MP/RJ nos autos de ação civil pública ajuizada na Justiça Federal, a concessionária deve implantar um programa permanente de monitoramento da presença de esgoto nos rios que compõem a bacia hidrográfica do complexo lagunar, contemplando, no mínimo, cinquenta pontos distribuídos ao longo da rede.
O MPF também é responsável por exigir da Cedae e da nova concessionária do serviço o funcionamento ambientalmente correto da Estação de Tratamento de Esgoto e do Emissário Submarino da Barra da Tijuca. Em janeiro de 2021, a CEDAE foi multada pela Justiça Federal em R$ 20 milhões, por descumprir o prazo para adequação do sistema de tratamento primário de esgoto na Estação. O MPF busca, na Justiça, o pagamento da multa e a comprovação de que o sistema da ETE opera agora regularmente.
Matérias relacionadas:
MPF/RJ
- Atuação conjunta do MPF e MP/RJ garante despoluição das lagoas da Barra da Tijuca
- Rio de Janeiro: Justiça Federal aceita denúncia contra Cedae por poluição na Baía de Guanabara e Oceano
- No Rio de Janeiro, MPF denuncia Cedae por poluição da Baía de Guanabara e do mar
- MPF fiscaliza lançamento de esgotos clandestinos na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro
- Ministérios Públicos Federal e Estadual notificam prefeitura do Rio a apresentar solução para saneamento em favelas
- MPF/RJ recomenda à Cedae e às Secretarias de Meio Ambiente aplicação de técnicas adequadas na despoluição de rios
- MPF/RJ e PF investigam lançamento de esgoto na Baía de Guanabara e lagoas da Barra e de Jacarepaguá:
- Audiência pública debate sobre poluição na Lagoa da Barra e Jacarepaguá
- MPF/RJ pede abertura de inquérito policial contra a Cedae por crime de poluição
- MPF/RJ pede suspensão das obras de recuperação das lagoas da Barra da Tijuca:
MP-RJ
- MP-RJ e MPF realizam vistoria com o INEA para averiguar pontos clandestinos de lançamento de esgoto no complexo lagunar da Barra
- MPRJ e MPF notificam Prefeitura do Rio a apresentar cronograma de saneamento em comunidades da Barra e Jacarepaguá
- MPRJ participa de audiência pública em que CEDAE apresenta proposta de cronograma de obras para despoluição das lagoas da Barra e Jacarepaguá
- MPRJ participa de Audiência Pública para discutir a despoluição do complexo de lagoas de Jacarepaguá:
- MPRJ participa de reunião na Agenersa para discutir despoluição do complexo de lagoas da Barra e Jacarepaguá
- MPRJ participa de audiência pública sobre o esgotamento sanitário em bairros da Zona Oeste
- MPRJ expede recomendação para que sejam adotadas medidas mais efetivas na gestão do serviço de esgotamento sanitário na Barra, Recreio e Jacarepaguá
- MPRJ, MPF, DPMA e Rio-Águas realizam operação para apurar regularidade da rede da CEDAE na AP4
- MPRJ e CEDAE assinam compromisso para que a empresa adeque o sistema de tratamento de água e esgoto na Zona Oeste do Rio

