Você está aqui: Página Inicial / Notícias do Portal do MPF / Justiça aceita denúncia contra auditores da KPMG que atestaram contabilidade do Banco Cruzeiro do Sul

Justiça aceita denúncia contra auditores da KPMG que atestaram contabilidade do Banco Cruzeiro do Sul

Entre 2007 e 2011, eles omitiram a falsidade de milhares de contratos de empréstimo consignado

A Justiça Federal em São Paulo instaurou uma ação penal contra três sócios da KPMG Auditores Independentes por participação nas fraudes que levaram à liquidação do Banco Cruzeiro do Sul, em 2012. A decisão atende a um pedido do Ministério Público Federal, que denunciou Francesco Luigi Celso, Ricardo Anhesini Souza e Silbert Christo Sasdelli Junior por atestarem a regularidade de milhares de contratos fictícios de empréstimo consignado mantidos pela instituição financeira entre 2007 e 2011, o que mascarou um rombo de R$ 1,25 bilhão nas contas do banco.

Em todos os relatórios, os auditores ignoraram uma série de irregularidades que demonstravam a falsidade dos papéis. Uma delas foi a pequena quantidade de respostas a cartas enviadas a clientes solicitando a confirmação das operações de crédito. Outro exemplo são os erros identificados nos documentos avaliados, como falta de numeração, ausência de assinaturas em termos de adesão e divergência de valores. Apesar dos inúmeros indícios de fraude, a KPMG considerou lícitos os registros do banco, sem observações sobre as incongruências.

“Diante de tais vultosas irregularidades, Francesco, Ricardo e Silbert adotaram dolosamente procedimentos de auditoria insuficientes e inadequados para a detecção das graves distorções nos demonstrativos financeiros do Banco Cruzeiro do Sul e elaboraram e emitiram pareceres e relatórios sem as necessárias ressalvas nas datas-base relativas aos exercícios semestrais de 2007 a 2011”, escreveu o procurador da República Sílvio Luís Martins de Oliveira, autor da denúncia.

No período em que a KPMG auditou o balanço contábil do banco, cerca de 320 mil contratos falsos de empréstimo consignados foram criados para se forjarem ativos financeiros. Ricardo assinou as auditorias dos exercícios de 2007 e 2008 juntamente com Silbert, que foi o responsável pelos relatórios no biênio seguinte. A auditoria relativa a 2011 coube a Francesco. Ao atestarem a regularidade das contas, os três mantiveram em erro o Banco Central do Brasil e os investidores do Cruzeiro do Sul, crime pelo qual podem ser condenados a até seis anos de prisão.

Esta é a terceira denúncia oferecida contra envolvidos no escândalo do Banco Cruzeiro do Sul. As outras duas foram ajuizadas em 2012, quando o MPF pediu a condenação de ex-gestores, administradores e funcionários da instituição por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. Além de criar falsos empréstimos consignados, os réus cometeram diversos outros delitos, como a manipulação de ações do banco no mercado de capitais, a simulação de contratos de fornecimento de mercadorias e o desvio de recursos aplicados por correntistas em fundos de investimento.

O número da ação contra Francesco Luigi Celso, Ricardo Anhesini Souza e Silbert Christo Sasdelli Junior é 0003727-67.2016.403.6181. A tramitação pode ser consultada em http://www.jfsp.jus.br/foruns-federais/.


Assessoria de Comunicação
Procuradoria da República no Estado de S. Paulo
Informações à imprensa: Diego Mattoso
11-3269-5068/ 5368/ 5170
prsp-ascom@mpf.mp.br
twitter.com/mpf_sp

login