Povos indígenas Xerente e Krahô reclamam ao MPF sobre extração ilegal de madeira
Na terça-feira (3), representantes dos povos indígenas Xerente e Krahô estiveram na Procuradoria Regional da República da 1ª Região (PRR1) para reclamar sobre a extração ilegal de madeira em seus territórios no Tocantins, além de relatarem outros problemas como arrendamento de terra e mineração. Eles foram recebidos pelo procurador regional da República Felício Pontes Jr.
Os indígenas explicaram que a proteção das florestas é importante para sua sobrevivência e demonstraram preocupação com possíveis conflitos envolvendo madeireiros na região. Segundo os relatos, apesar das denúncias da ação irregular de madeireiros, nenhuma providência foi tomada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins).
Outros problemas - Os indígenas também reclamaram da dificuldade de acesso à educação e sobre a retirada dos marcos de delimitação das terras indígenas. Eles relataram o uso de água das terras indígenas para as plantações de cana-de-açúcar e que aviões passam espalhando agrotóxicos na região, o que provoca coceiras no corpo dos habitantes.
Os indígenas Krahô falaram ainda sobre a tentativa de criação de um conselho comunitário nas aldeias sob a fiscalização da Polícia Militar. Entretanto, as 29 aldeias que compõem o povo concordam que a autonomia para resolução de conflitos internos é dos líderes indígenas, de forma a respeitar sua tradição e cultura. Além disso, a fiscalização para esses casos deve ser da Polícia Federal.
O assessor jurídico do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Adelar Cupsinski, acompanhou a reunião. Entre os encaminhamentos está oficiar à Secretaria de Segurança do Estado do Tocantins para suspensão da Polícia Comunitária Indígena. Também haverá solicitação à Secretaria de Segurança Pública do Estado de Tocantins para fechamento da prisão que foi criada na Aldeia Pedra Branca e na Aldeia Cachoeira, na Terra Indígena Kraô.

