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#ABRILIndígena: Raquel Dodge recebe lideranças indígenas e garante atuação para defender direitos das comunidades

Representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil pediram apoio do MPF em processos que tramitam no Supremo

Na semana em que foi celebrado o Dia do Índio, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, recebeu representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) para uma conversa sobre medidas judiciais e extrajudiciais que impactam diretamente direitos de comunidades indígenas de todo o país. A demarcação de terras, a federalização de crimes relacionados aos índios e processos em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) foram os principais assuntos discutidos nos dois encontros realizados na última sexta-feira (20). O grupo, composto por índios de diferentes etnias, advogados e outros apoiadores, foi recebido juntamente com o vice-PGR, Luciano Mariz Maia, que também é o  coordenador da Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do Ministério Público Federal (6CCR/MPF).

Durante o  encontro, foi discutido o Parecer 001/2017 da Advocacia Geral da União (AGU) sobre processos de demarcação de terras indígenas. O documento estabelece que o marco temporal para reconhecimento de uma área indígena é 1988. Na reunião com a Apib, o vice-PGR frisou que o MPF tem defendido publicamente e se manifestado em todas as ações judiciais em andamento que o marco constitucional é 1934. Luciano Mariz Maia explicou que o parecer é inconstitucional e impede o avanço dos processos de demarcação.  

O vice-PGR informou aos presentes que, no mês de março, se reuniu com a Advogada-Geral da União, Grace Mendonça, para pedir a revogação do ato e também para apresentar uma nota técnica, segundo a qual o parecer não respeita a Constituição e nem a jurisprudência do Supremo.  De acordo com Luciano Mariz Maia, o parecer é uma empreitada movida a interesses políticos, mas que, juridicamente, não se sustenta. “Nós estamos enfrentando processo a processo, caso a caso. E estamos mencionando que não há razão jurídica para segui-lo. Decisões administrativas que estão sendo adotadas usam o fundamento de ordem política”, destacou o vice-PGR, completando que, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o MPF tem conseguido vitórias relevantes e que o Supremo tem dado sinais concretos de que apoia as grandes teses indigenistas.

Representantes da Apib também pediram o apoio da  PGR em diversos processos  que tramitam no STF. Em relação a essa demanda, Raquel Dodge explicou que seu gabinete acompanha de perto as ações judiciais em andamento no Supremo. Ela citou, inclusive, que na última quinta-feira (19),  apresentou recurso em um caso que teve decisão desfavorável à comunidade. No documento, a PGR  defende que a área da Fazenda Santa Bárbara, no município de Aquidauana (MS), pertence aos indígenas da etnia Terena. Sobre os processos apontados pela Apib, a PGR se comprometeu a conversar no STF, não apenas com a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia, mas também com os demais ministros.

 A PGR reiterou a importância de os indígenas terem acesso à Justiça e participarem de forma direta  dos processos que lhes afetam diretamente. Ao citar a dimensão do tema, ela ressaltou que, só no TRF da 1ª Região, são 800 ações relativas à causa indígena. “Acho que é um movimento legítimo que se pode fazer em cada um desses processos. De todo modo, a PGR terá sempre sua intercessão, cumprindo seu dever de atuar em favor dos índios.  É uma questão constitucional. É nosso dever trabalhar em favor dos índios - não os substituindo, mas amparando os direitos indígenas”, frisou a PGR.

Outro encontro - Também na tarde de sexta-feira (20), Raquel Dodge e Luciano Maia receberam índios da etnia Terena. Na ocasião, os representantes da comunidade indígena pediram o auxílio da PGR na realização de aulas para lideranças indígenas e para funcionários indigenistas. O tema a ser ministrado abordaria o direto do idoso indígena e a transmissão oral dos conhecimentos entre o novo e o velho, além da consulta livre, prévia e informada relativa aos avanços da colonização e de agronegócios.

Raquel Dodge demonstrou apoio à reivindicação e disse que atuará para garantir a realização da iniciativa. “Essa solicitação vem ao encontro daquilo que estamos planejando para 2018. Este ano comemoramos 30 anos da Constituição, são 30 anos do capítulo indígena na Constituição. É uma hora importante para conseguirmos avanços para a causa indígena, que é sempre tão difícil”,  ponderou a PGR.

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