Após recomendação do MPF, Conpresp deixa de votar liberação de empreendimento ao lado do Teatro Oficina
Após receber recomendação do Ministério Público Federal, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) deixou de votar a autorização para projetos imobiliários no terreno vizinho ao Teatro Oficina, no Bixiga, centro da capital. O MPF quer que os conselheiros aguardem a manifestação definitiva dos órgãos estadual e federal de preservação do patrimônio antes de decidir sobre o assunto.
Dois processos administrativos para a construção de torres comerciais e residenciais no local estavam na pauta da reunião do Conpresp realizada nesta segunda-feira (1º), mesmo dia em que o órgão recebeu a recomendação do MPF. O Conselho informou no fim da tarde que, embora tenha ouvido as partes interessadas, não houve deliberação.
Fundado pelo ator e diretor José Celso Martinez Corrêa, o Teatro Oficina é um dos mais importantes da dramaturgia brasileira. O prédio é tombado não só pelo Conpresp, mas também pelos órgãos estadual (Condephaat) e federal (Iphan) de proteção ao patrimônio cultural e histórico. A estrutura, projetada pelos arquitetos Lina Bo Bardi e Edson Elito, baseia-se na conexão entre o interior e o bairro do Bixiga, que o rodeia. O tombamento estabelece a proibição de intervenções no entorno que desvirtuem esse conceito.
A construção das torres bloquearia a vista urbana que atores e espectadores têm através de uma grande janela voltada para o terreno. A disputa em torno do uso da área se arrasta há anos. De um lado, o Grupo Silvio Santos, que é proprietário do local e pretende explorá-lo economicamente. Do outro, o Oficina, que alega que o empreendimento interferiria diretamente nas atividades do teatro ao confiná-lo. Grande parte das discussões é travada nos três órgãos responsáveis pelo tombamento, de cujo aval o projeto imobiliário depende.
A autora da recomendação é a procuradora da República Suzana Fairbanks Oliveira Schnitzlein.

