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Lar Santo Antônio de Pádua recebe donativos arrecadados pelo MPF/AL

Instituição em Maceió depende de doações para cuidar de pessoas encontradas em situação de abandono

O Ministério Público Federal em Alagoas (MPF/AL) realizou, nesta segunda-feira (15), a entrega de donativos ao Lar Santo Antônio de Pádua, instituição de caridade localizada no bairro Village Campestre II, na parte alta de Maceió. Uma parte dos materiais - de limpeza e higiene pessoal - foi arrecadada no ato das inscrições para a seleção de estágio na área de Administração e Comunicação, e a outra parte foi doada por servidores do órgão.

A doação realizada pelos candidatos à seleção de estágio foi facultada durante o procedimento de validação da inscrição. No total, foram 95 inscritos no concurso que será realizado no dia 9 de novembro de 2018. Os donativos arrecadados na PRM-Arapiraca - alimentos não perecíveis - foram entregues na Associação de Assistência São Vicente de Paulo.

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Funcionária da instituição assina o Termo de Recebimento dos materiais doados

Doação - Foram entregues ao lar 8 litros de detergente, 103 litros de água sanitária, 33 litros de desinfetante, 24 quilos de sabão em pó, 24 unidades de barbeadores descartáveis, entre outros materiais. Em nome do MPF, o procurador Edgard Castanheira e os servidores Ana Carolina Figueiredo, Hélio Francisco e José Pereira Trajano entregaram as doações.

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Materiais de limpeza e higiene pessoal foram entregues ao Lar Santo Antônio de Pádua

No Lar (por Hélio Francisco) - A visita realizada no lar de acolhimento me proporcionou uma experiência muito engrandecedora, especialmente o contato com pessoas carentes, doentes e abandonadas e ver como elas são fortes em superar tais situações. Às vezes esqueço de perceber as dificuldades do próximo e de valorizar o que e o quanto tenho. Esqueço de perceber que nossas necessidades e problemas podem se tornar pequenos perto da fome, da doença e do abandono. Esse contato, então, me trouxe de volta à percepção mais humana da vida, para além das repetições do dia-a-dia, muitas das vezes reproduzidas sem questionamento ou análise dos nossos objetivos e do que podemos fazer para tornar o mundo um lugar melhor.

Uma história de lá - De acordo com os depoimentos dos funcionários e voluntários do abrigo, Fernando Antônio chegou ao Lar Santo Antônio de Pádua no dia 13 de junho de 1982, com mais ou menos cinco anos de idade. Foi levado por um senhor que se identificou como médico em Maceió, chamado Hévio Auto, o qual informou que a criança tinha sido encontrada em um container de lixo nas imediações do Pronto Socorro, no bairro Trapiche. Na época o Lar cuidava de crianças abandonadas.

O menino não falava e nem andava. Como ele chegou ao orfanato no dia de Santo Antônio, Frei José, junto aos voluntários, escolheu chamá-lo de Fernando Antônio em homenagem ao Santo.

Segundo Marcelo Vasconcelos, técnico de enfermagem do abrigo, Fernando começou a andar três anos depois de sua chegada, e só aprendeu a dizer algumas palavras quando adulto. "Ele fala água, pão, carro, comer, rua... com essas palavras se comunica conosco. Então prestamos muita atenção no que ele diz e assim conseguimos nos entender. Fernando é uma criança crescida que amamos muito", concluiu.

Ele não toma remédio controlado, depois da janta vai pra cama e dorme a noite toda. Às 6h da manhã se levanta e passa o dia todo acordado. É uma alegria. Muitas vezes passa muito tempo parado, olhando para a imagem de Santo Antônio na Capela do Abrigo, de uma forma tão particular que chama atenção de todos por lá.

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Fernando Antônio está no abrigo há mais de 30 anos, após ter sido encontrado junto ao lixo. Foto: Ascom MPF/AL autorizada pela Instituição.

Lar Santo Antônio de Pádua - Com muita dedicação e respeito, os voluntários e funcionários do Lar Santo Antônio de Pádua - também conhecido como Lar do Frei José - acolhe moradores de rua e idosos abandonados, além de pessoas que saíram do hospital e não têm para onde ir. Mantido exclusivamente por doações, necessita de ajuda da população para manter sua estrutura. As prioridades são produtos de higiene e limpeza, materiais para primeiros socorros, fraldas geriátricas e alimentos.

O abrigo tem capacidade para atender 75 pessoas, mas, atualmente, assiste 115, dentre elas seis mulheres. Os demais são idosos que a família não teve condições de cuidar ou moradores de rua abandonados.

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