Dragagem é suspensa na Baía de Sepetiba para impedir mortandade de botos-cinza
Em reunião da Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca) nessa terça-feira (23), a Secretaria de Estado do Ambiente decidiu suspender por 15 dias a dragagem da Vale S/A, na Baía de Sepetiba. A medida atende uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro e em Angra dos Reis expedida ao Inea e à Companhia Portuária Baía de Sepetiba (CPBS) que determina a suspensão imediata da licença de dragagem de 1.837.421 m³ do fundo da Baía de Sepetiba. No local ocorre um surto de morbilivirose, causadora do óbito de quase 200 botos-cinza nas Baías de Sepetiba e Ilha Grande.
A dragagem foi autorizada pelo Inea no ano de 2017 e começou a ser realizada no último dia 12 pela CPBS, que opera o terminal de minério da empresa Vale S/A. Na recomendação expedida no dia 15, o MPF deu prazo de 72 horas para que o instituto revogasse espontaneamente a licença para a atividade até “a completa normalização” da situação. Desde o final de novembro, um surto do vírus morbilivírus tem causado a morte de dezenas de animais nas duas baías. A doença compromete a imunidade dos botos e ainda estão sendo investigadas se há outras patologias associadas. A tendência é que o número de animais mortos aumente nas próximas semanas, segundo Boletim Técnico emitido pelo Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Maqua/UERJ) e o Laboratório de Patologia Comparada de Animais Selvagens da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (Lapcom/FMVZ/USP).
Para o procurador da República Sergio Suiama, que acompanhou a reunião da Ceca, a medida adotada foi importante e deve vir acompanhada de outras ações voltadas a reduzir emergencialmente as atividades humanas na baia de Sepetiba: “É fundamental o engajamento das prefeituras de Itaguaí e Mangaratiba e dos proprietários de embarcações e pescadores no sentido de evitarem o trânsito nas áreas de agregação dos botos. As redes de pesca não devem ficar abandonadas na água, pois os botos doentes podem não conseguir escapar”, afirmou.

