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Câmara Criminal do MPF promove oficina sobre fraudes previdenciárias

Debates contaram com a participação de representantes da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da Polícia Federal e da Assessoria de Pesquisa Estratégica e Gerenciamento de Risco, Auditoria Geral e Divisão de Auditoria em Sistemas e Projetos do INSS

As fraudes previdenciárias estão sendo debatidas na quarta oficina de trabalho realizada neste ano pela Câmara Criminal do Ministério Público Federal (2CCR/MPF). A coordenadora da área, subprocuradora-geral da República Luiza Cristina Frischeisen, destacou a necessidade de discutir o tema, que foi definido como prioritário na atuação criminal, também com outras instituições. A oficina de trabalho começou na manhã desta terça-feira, 14 de março, e segue até amanhã, quando os procuradores irão definir estratégias de atuação.

Durante a abertura do encontro, a coordenadora explicou que os crimes contra a previdência são considerados delitos de massa. Segundo Frischeisen, as fraudes previdenciárias lideram as ocorrências de procedimentos investigatórios criminais, perdendo apenas para os casos de contrabando e descaminho. Atualmente, existem cerca 22 mil inquéritos policiais e procedimentos relacionados a fraudes de benefícios previdenciários e seguro desemprego.

O primeiro painel apresentou os trabalhos da Assessoria de Pesquisa e Gerenciamento de Riscos, antigamente vinculada ao Ministério da Previdência. A assessoria passa agora a ser uma coordenadoria do Ministério da Fazenda. Marcelo Henrique de Ávila, chefe da área, explicou que, apesar da mudança, a competência de detecção e análise de fraudes previdenciárias continua a mesma.

Marcelo Henrique apresentou levantamento dos resultados da forças-tarefa previdenciária, existente há 17 anos e formada pela atuação integrada do MPF, Polícia Federal e técnicos e analistas de inteligência da Previdência Social. Somente no ano de 2016, as ações conjuntas resultaram em 46 operações que investigam fraudes que geraram prejuízos estimados em mais de R$ 132 milhões. A economia gerada com o combate a essas fraudes chega a aproximadamente R$ 287 milhões. O chefe da assessoria revela que só a folha mensal do INSS (chamada de maciça) é da ordem de mais de R$ 30 bilhões mensais em pagamentos de benefícios. São recursos que chamam a atenção de organizações criminosas que se especializam para depredar os recursos públicos, alertou.

A oficina também contou com a participação do analista do Seguro Social da Auditoria Geral do INSS, Edson Pinheiro Alvarista, e da delegada da Polícia Federal Marianne Pires Ewerton, chefe da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários. O analista mostrou como é realizado o levantamento de indícios de fraudes por meio dos sistemas que fazem a triagem de bancos de dados. Devido ao volume de informações dos benefícios concedidos, os sinalizadores de irregularidades são revelados a partir da análise de estatísticas e de ocorrências de municípios que revelam médias divergentes dos padrões nacionais.

A delegada Marianne Ewerton apresentou as principais vulnerabilidades identificadas pela Polícia Federal e sugeriu medidas que podem ajudar a minimizar e a identificar as fraudes previdenciárias mais comuns. Para ela, o uso de biometria na identificação de segurados é fundamental para a redução de fraudes por meio do uso de documentos falsos.

Prioridades – A coordenadora criminal do MPF, Luiza Cristina Frischeisen, destacou a importância na definição de prioridades da atuação no combate às fraudes previdenciárias. “Como sabemos que os casos são muitos, a troca de experiências entre os órgãos ajuda a economizar recursos e traz resultados mais efetivos”. Para ela, o compartilhamento das bases de dados também é fundamental para uma atuação mais estratégica. “Não podemos achar que resultados são apenas as condenações e denúncias, ter informações boas para prevenir fraudes também é eficiente”, ressaltou.

Os participantes da oficina também debateram a necessidade de interrupção de pagamento do benefício quando se verificam indícios de fraudes. A procuradora da República Elaine Ribeiro de Menezes, da PRM Campinas, destacou a efetividade do bloqueio com depósito em conta judicial nesses casos. Para ela, essa seria uma maneira de cessar o recebimento ilegal do benefício e garantir o retorno dos recursos ao INSS, já que o processo de suspensão definitiva do benefício pode durar até dois anos.

O evento ainda traz, na tarde desta terça-feira, mais três painéis que discutem estudos de casos da força-tarefa, cruzamento de dados para a detecção de fraudes e medidas preventivas nos registros de pessoas naturais. Confira a programação.

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