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Mulheres são sub-representadas na política, 85 anos após a conquista do voto feminino

Mapeamento da PRE-SP e pesquisas do Instituto Patrícia Galvão e de professora da FGV analisam a sub-representatividade da mulher nas casas legislativas

Mapeamento realizado pela Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo (PRE-SP) revela que a presença da mulher nos cargos executivos e nas câmaras municipais não avançou nas eleições municipais de 2016. Dos 645 municípios paulistas, menos de 10% elegeram prefeitas. Nas câmara municipais, o percentual de vereadoras é de apenas 8%.

Esses dados foram apresentados nessa terça-feira, 7 de março, véspera do Dia Internacional da Mulher, em evento promovido pela PRE-SP para marcar os 85 anos de conquista do voto feminino no Brasil.

"Os obstáculos estão dentro dos partidos e não na sociedade", observou a socióloga Fátima Pacheco Jordão, fundadora do Instituto Patricia Galvão, que apresentou estudo sobre o perfil do eleitorado feminino. O instituto e o Ibope apontam que 80% dos eleitores brasileiros concordam que as leis devem garantir o mesmo número de mulheres e homens em cargos políticos.

A socióloga destacou o perfil mais crítico das eleitoras e do peso que estas têm nas eleições, por serem maioria entre os indecisos que definem as eleições. Na sua avaliação, o sistema eleitoral, "que está falido", e a estrutura interna dos partidos é que dificultam a efetiva participação da mulher na política. Mas "o futuro é nosso", assegurou.

Dos 81 senadores, apenas 14 são mulheres. Na Câmara dos Deputados, a proporção é pior: a bancada feminina ocupa 10% das cadeiras. O Brasil ocupa a 154ª posição de participação da mulher na política, uma das últimas posições no ranking de 190 países, liderado por Ruanda, Bolívia, Cuba e Islândia.

A evolução da participação feminina na política no Brasil tem sido lenta, avaliou a professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Luciana de Oliveira Ramos, ao apresentar pesquisa sobre "a (des)igualdade de gênero na política". Pesquisadora do Núcleo de Justiça e Constituição e do Grupo de Pesquisa em Direito e Gênero da Escola de Direito de São Paulo, a pesquisadora afirmou que a sub-representação da mulher mostra uma "falha" na democracia.

Mapa da desiguldade – O Mapa Interativo de Resultados – Eleições 2016 desenvolvido pela Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo e lançado durante o evento permite ao usuário uma ampla visão sobre os municípios do estado e a proporção de votos femininos. É possível escolher filtros que mostrem as cidades com mais ou menos votos direcionado às mulheres.

Nova Europa, um pequeno município com 9.300 habitantes, foi o única cidade paulista onde as mulheres ocupam mais de 50% das cadeiras na Câmara Municipal: cinco dentre as nove vagas. Com 390 mil habitantes, Diadema não elegeu nenhuma vereadora. De acordo com a PRE-SP, no primeiro momento, não se pôde verificar uma relação entre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) com a presença da mulher na política.

A expectativa do procurador regional eleitoral Luiz Carlos dos Santos Gonçalves é que o mapa seja fonte de consulta e possa contribuir para a formulação de propostas de políticas públicas para o avanço da presença efetiva da mulher na política.

 

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