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MPs do Mercosul debatem mecanismos para agilizar negociação entre autoridades de fronteira

Reunião contou com representantes do Ministério Público Federal

Mais um passo foi dado para viabilizar investigações conjuntas entre países membros do Mercosul. A XXIII Reunião Especializada de Ministérios Públicos do Mercosul (REMPM), realizada nessa quinta-feira (5) no Paraguai, apresentou propostas para o acordo de cooperação jurídica que visa negociação mais célere entre autoridades de fronteira. Aprovado pelas procuradorias-gerais de seis países (Argentina, Brasil, Chile Paraguai, Peru e Uruguai) na REMPM realizada em 2017, o acordo foi apresentado oficialmente aos representantes dos Ministérios de Justiça do bloco.

O Ministério Público Federal foi representado pelos procuradores da República Carlos Bruno Ferreira da Silva, que atua como secretário adjunto de Cooperação Internacional da Procuradoria-Geral da República, e Roberto Farah Torres, coordenador no âmbito do Mercosul do subgrupo de trabalho de fronteiras.

O principal assunto discutido refere-se aos mecanismos previstos no projeto que têm o objetivo de facilitar o trabalho de investigação como a possibilidade de realizar perseguição sem interrupção nas fronteiras. O contato direto entre autoridades de fronteira sem a necessidade de tradução espanhol/português e a facilitação de comunicação de atos processuais também constam do acordo.

Outros dois pontos importantes para acelerar as investigações foram discutidos durante a reunião. Tratam-se da viabilização de pedidos diretos de dados pelo Brasil e da fiscalização de medidas alternativas à prisão nas comarcas de fronteiras. Vale destacar que o acordo firmado em 2017 também é discutido internamente entre MPs e Ministérios de Justiça e Interior de cada país integrante e associado ao Mercosul.

De acordo com o procurador Carlos Bruno, houve consenso entre os órgãos responsáveis pela segurança pública e persecução penal de que é urgente simplificar, dar efetividade e segurança jurídica na cooperação de fronteira. “Isso possibilitará o combate adequado à crescente ação da criminalidade organizada nos milhares de quilômetros de bordas territoriais na América do Sul”, avaliou o representante do MPF.

Ele também destacou que o projeto beneficiaria especialmente a investigação de crimes nas cidades gêmeas (municípios cortados pela linha de fronteira). Esses locais são foco de boa parte do tráfico internacional de drogas e armas que afeta as metrópoles do Mercosul.

REMPM – Criada em 2005 pelo Conselho do Mercado Comum do Mercosul, a REMPM surgiu a partir da necessidade de se ter um mecanismo ágil no relacionamento entre os Ministérios Públicos dos países membros e associados para fortalecer as ações conjuntas na prevenção, investigação e repressão ao crime organizado, narcotráfico e terrorismo. A REMPM tem o objetivo de coordenar e cooperar com os países no combate à criminalidade organizada e melhorar os mecanismos de persecução penal nas áreas de competência. Os encontros de MPs do Mercosul ocorrem semestralmente e as cidades dos países membros se revezam para receber os participantes.

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