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Conferência internacional fala sobre esforços anticorrupção na América Latina

Durante o evento, o Secretário de Cooperação Internacional adjunto defendeu a criação da Procuradoria Nacional Anticorrupção

Os esforços anticorrupção na América Latina foram tema de uma conferência promovida em São Paulo, no dia 20 de outubro, pela Latin Lawyer. O secretário de cooperação internacional adjunto, Carlos Bruno Ferreira da Silva, participou do painel sobre as legislações aplicadas no Brasil, Chile e México. No evento, ele destacou que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pretende criar até o final de seu mandato a Procuradoria Nacional Anticorrupção.

“O futuro da luta contra a corrupção no Ministério Público Federal é, sem dúvida, a Procuradoria Nacional Anticorrupção. Nosso procurador-geral já garantiu mais de uma vez que é uma meta do seu mandato e estamos pensando sobre o melhor modelo para esta estrutura permanente”, afirmou o procurador, durante a conferência. Todos os participantes disseram que o combate à corrupção tem sido prioridade nos seus países, com tentativas de introduzir medidas mais eficazes na legislação.

O secretário adjunto de Cooperação Internacional ressaltou os avanços obtidos com a Operação Lava Jato no combate ao crime no Brasil. Também rebateu as críticas de que a operação estaria afetando a governabilidade e a economia do país, ao afirmar que essas alegações são feitas “por pessoas que não entendem nem o Brasil nem de economia”. “Estou certo de que a Lava Jato está apenas revelando o tamanho do problema, não causando isso”, afirmou.

10 medidas - Para combater a corrupção no país e melhorar a posição do Brasil nos índices internacionais de transparência, ele defendeu mudanças legislativas e no sistema político, como campanhas políticas mais baratas e obtenção natural de maioria política, não com base em troca de favores. Nesse sentido, ele lembrou que o MPF encaminhou ao Congresso as 10 Medidas contra a Corrupção, com mudanças legislativas para fortalecer o combate ao crime.

“Com estas propostas e o apoio da sociedade, criamos um movimento para realmente atacar as causas da corrupção no Brasil. Basicamente, estamos tentando reduzir a impunidade, e, com isso, diminuir os incentivos para infringir a lei e aumentar a transparência na administração pública”, explicou.

Ele lembrou que a definição das 10 Medidas tomou por base experiências já adotadas em outros países que alcançaram um nível mais baixo de corrupção. “Elas não são criadas a partir da cabeça de uma única pessoa, mas copiadas de boas experiências em outros lugares do mundo. Essas propostas agora estão no Parlamento e serão democraticamente discutidas para que a decisão seja a melhor para a nossa sociedade”, ressaltou o procurador.

Cooperação internacional - Durante o evento, Carlos Bruno destacou, ainda, a importância da cooperação jurídica com outros países para o sucesso de investigações de casos de corrupção e crimes transnacionais, como a Lava Jato. “Não temos problemas com os nossos pedidos de auxílio mútuo, as autoridades de cooperação em todo o mundo estão dispostas a trabalharem juntas”, afirmou.

Ele também ressaltou a colaboração de outras instituições brasileiras nessa atuação e a adoção de ferramentas, como os acordos guarda-chuva feitos não por uma pessoa investigada, mas pelos presidentes das empresas, de forma a abarcar todas as irregularidades cometidas e funcionários envolvidos. Com o objetivo de evitar no futuro esse tipo de corrupção revelada pela Lava Jato em grandes corporações, Carlos Bruno defendeu a necessidade de  implantar uma política de compliance nas empresas — conjunto de práticas que têm o objetivo de garantir a conformidade dos atos da organização às leis, às políticas e às diretrizes. Segundo ele, o tema vem sendo discutido na Câmara de Combate à Corrupção da PGR.

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