Museu Nacional: Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF lamenta perda de acervo em incêndio
Em nota divulgada nesta terça-feira (4), a Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF (6CCR) manifesta pesar pelo incêndio ocorrido no Museu Nacional, que resultou na “perda irreparável de vasto acervo histórico, antropológico, arqueológico e paleontológico”. O texto destaca que, dentre os itens perdidos, estavam documentos e objetos essenciais para que pesquisadores, estudantes e sociedade em geral conhecessem um pouco da vida e da história de muitos povos indígenas brasileiros. “Também repousavam ali instrumentos para a defesa dos direitos desses povos, documentação imprescindível à defesa de seus territórios e de sua memória”, diz o texto. Leia a íntegra da nota abaixo.
Nessa segunda (3), o MPF pediu a abertura de inquérito para apurar causas e responsabilidades pelo incêndio. Saiba mais.
NOTA PÚBLICA
A 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal vem manifestar seu profundo pesar e consternação pelo incêndio ocorrido no Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Lamentamos a perda irreparável de vasto acervo histórico, antropológico, arqueológico e paleontológico, dentre outros que o Museu abrigava, de relevância nacional e internacional. Solidarizamo-nos com todos os profissionais, pesquisadores, professores, estudantes e trabalhadores que possibilitaram a existência e acesso a um patrimônio nacional e internacional de valor inestimável em múltiplas dimensões.
Impossível não recordar que dentre as importantes peças que o Museu abrigava estavam documentos e objetos essenciais para que pesquisadores, estudantes e sociedade em geral conhecessem um pouco da vida e da história de muitos povos indígenas, a exemplo das coleções de cestaria, arte plumária e cerâmica. Também repousavam ali instrumentos para a defesa dos direitos desses povos, documentação imprescindível à defesa de seus territórios e de sua memória.
A tragédia acontecida ontem não pode ser considerada um mero acidente. Não obstante as causas imediatas do incêndio ainda estejam sendo apuradas, é certo que os parcos recursos orçamentários destinados à preservação e manutenção do patrimônio cultural brasileiro colaboraram para esse evento, que decorre diretamente de um longo processo de sucateamento das instituições científicas no Brasil e da falta de estabelecimento de prioridades das políticas públicas na área cultural, que afetam não somente o Brasil mas toda a humanidade.
Sabedores de que não será possível recompor esta imensurável perda, esperamos que esta tragédia sirva, ao menos, para que possamos nos conscientizar da necessidade urgente de que seja priorizada a criação de condições para a efetiva defesa do patrimônio cultural brasileiro. Ele é expressão de nossa identidade cultural, cujo legado para humanidade já é reconhecido internacionalmente,mas ainda carece de reconhecimento interno. O zelo pela nossa memória é condição para a valorização e guarda de nossa riqueza sociocultural, garantia de direitos no presente e insumo fundamental para a construção de nosso futuro enquanto sociedade.
4 de setembro de 2018
Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF (6CCR)

