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MPF, ANPR e Fundação Pedro Jorge inauguram monumento em homenagem a procurador da República assassinado

Pedro Jorge de Melo e Silva atuou, há 40 anos, no chamado Escândalo da Mandioca

O Ministério Público Federal (MPF), a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e a Fundação Pedro Jorge inauguraram, nesta segunda-feira (28), estátua em homenagem ao procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva, assassinado há 40 anos por denunciar autoridades e políticos envolvidos no chamado “Escândalo da Mandioca”. Com 1,80 metro, o monumento fica na praça Elinaldo Nem, em frente à sede da Procuradoria da República em Pernambuco (PRPE), no Recife. 

O procurador-geral da República, Augusto Aras, fez o descerramento da estátua, com as filhas de Pedro Jorge, Marisa e Roberta Viegas e Silva. “Um passado doloroso pode nos servir para projetar um futuro melhor. A atitude convicta de um homem pode representar um símbolo para que haja tempos mais promissores”, afirmou o PGR. Para a filha do procurador da República assassinado Roberta Silva, a maior homenagem será a estátua poder despertar a lembrança, em todos que a contemplarem, da ética e coragem com que seu pai exerceu o trabalho. 

A cerimônia contou com a presença dos procuradores da República Alfredo Falcão Jr, chefe da PRPE, e Rafael Ribeiro Nogueira, chefe da Procuradoria Regional da República da 5ª Região (PRR-5), bem como da diretora-geral da Fundação Pedro Jorge, Melina Montoya Flores, do presidente da ANPR, Ubiratan Cazetta, e do arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, entre outras autoridades. O monumento, de autoria do artista Demétrio Albuquerque, teve patrocínio da Fundação Pedro Jorge e da ANPR. 

Segundo Alfredo Jr., a estátua contribui para rememorar três dos importantes legados de Pedro Jorge: a honestidade no dia a dia; a esperança de que, com a atuação de cada um, dias melhores podem ser construídos; e o amor a sua missão. “Pedro Jorge foi grande sendo simples”, concluiu. 

O caso – O assassinato ocorreu após o procurador da República denunciar políticos e autoridades envolvidos em um dos maiores esquemas de desvio de recursos do Banco do Brasil para financiamento agrícola em Pernambuco. Em valores atuais, o montante chegaria a quase R$ 34 milhões. O caso ficou conhecido como o “Escândalo da Mandioca”. 

Os empréstimos foram concedidos pela agência do Banco do Brasil no município de Floresta, no Sertão pernambucano, entre 1979 e 1981. Além de não plantar, os beneficiados pelo esquema receberam irregularmente valores do seguro ao forjar que as safras haviam se perdido. Mesmo sofrendo ameaças dos acusados, Pedro Jorge denunciou o crime. Ele também foi pressionado a abandonar o trabalho, tendo sido, inclusive, afastado por decisão superior, o que, naquela época, era permitido na instituição. 

O assassinato chocou o país e contribuiu para que fosse iniciado um amplo debate sobre a importância do Ministério Público para a sociedade e sobre as garantias necessárias aos membros da instituição para que pudessem desempenhas suas funções livres de pressões. Anos depois, com a Constituição Federal de 1988, foi estabelecida a garantia de independência funcional e a inamovibilidade aos membros do Ministério Público.

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