“Conversa Cidadã” com vice-procurador-geral da República será transmitida via TV MPF
A primeira edição da “Conversa Cidadã – O MPF e a Constituição Federal”, promovida pelo Ministério Público Federal (MPF) na Paraíba, será transmitida pela TV MPF. O evento ocorre na próxima sexta-feira (25), a partir das 9 horas, no auditório do órgão em João Pessoa, e vai contar com a participação do vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia.
As inscrições para acompanhar o evento de forma presencial continuam abertas até o limite de 90 vagas. A ação é voltada para estudantes universitários. Será emitido certificado de três horas extracurriculares aos participantes.
A conversa será baseada no documentário “Pedro Jorge – Uma vida pela Justiça”, que aborda a trajetória do procurador da República assassinado em razão da função. Além do vice-PGR, o evento contará com a presença do advogado Gilberto Marques, personagem do documentário e assistente de acusação no processo que condenou os assassinos de Pedro Jorge.
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Participarão dos debates, também, o procurador-chefe do MPF na Paraíba, Marcos Queiroga; o procurador da República, Antônio Edílio Magalhães Teixeira; o procurador-geral de Justiça da Paraíba, Francisco Seráphico; e o diretor do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) da Universidade de Federal da Paraíba (UFPB), Fredys Orlando Sorto.
O documentário - Entre os anos de 1979 e 1980, políticos, militares ligados às práticas de tortura e outras pessoas influentes do município de Floresta, no Sertão de Pernambuco, começaram a se beneficiar de um esquema milionário de desvio de dinheiro público que ficou conhecido como o Escândalo da Mandioca. Eles se passavam por produtores rurais e conseguiam financiamento do Banco do Brasil para o plantio, mas nada cultivavam e ainda embolsavam o dinheiro do seguro por perda da safra.
Coube ao procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva denunciar os envolvidos. Mas o que deveria ser mais uma atuação profissional acabou em tragédia. Após receber várias ameaças, Pedro Jorge foi assassinado, a mando de um dos militares denunciados na fraude, quando saía de uma padaria com o pão e o leite do jantar.
O documentário é um relato da trajetória pessoal e profissional de Pedro Jorge, que morreu aos 35 anos de idade, deixando esposa e duas filhas. Familiares, amigos e colegas de profissão que conviveram com ele ou que tiveram papel decisivo para que os assassinos fossem condenados recontam essa história, enfatizando as lições que o exemplo de Pedro Jorge deixou para o Ministério Público e para a sociedade.
Tragédia de todo o MP – Para o procurador-chefe do MPF na Paraíba, Marcos Queiroga, a tragédia pessoal de Pedro Jorge representou a tragédia, na época, de todo o Ministério Público, que ainda não tinha as garantias e a independência que ostenta hoje.
“Esse episódio foi extremamente impactante nos debates constituintes que resultaram na nova conformação do Ministério Público na Constituição de 1988. Fatos como esses não só não devem ser esquecidos, mas precisam sempre ser lembrados. Afinal, ‘um povo sem memória, é um povo sem história’, como disse a historiadora Helena Pignatari”, declarou.
“É preciso compreender o papel daqueles que já estiveram aqui e saber que muitos dos avanços de hoje vieram a partir do sangue e da luta de grandes guerreiros de ontem”, acrescentou o procurador-chefe.

