You are here: Home / Notícias do Portal do MPF / Alterações no processo de licenciamento ambiental foram discutidas em audiência pública em Rio Branco

Alterações no processo de licenciamento ambiental foram discutidas em audiência pública em Rio Branco

Os participantes alertaram sobre os riscos para o meio ambiente e comunidades locais

O Ministério Público Federal (MPF/AC) e o Ministério Público do Estado do Acre (MP/AC) promoveram nesta sexta-feira, 10, em Rio Branco, uma audiência pública para debater propostas que visam flexibilizar ou derrubar a necessidade de licenciamento ambiental como efeitos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2012, em trâmite no Congresso Nacional.

A audiência pública foi conduzida pelo procurador da República Marino Lucianelli e pela procuradora de Justiça Patrícia Rêgo e contou com a participação do vice-presidente do Senado, Jorge Viana, senador Sérgio Petecão, o coordenador da bancada federal do Acre no Congresso Nacional, Raimundo Angelim e o deputado federal Léo de Brito. Os parlamentares reafirmaram o apoio para que a PEC65 não seja aprovada por entenderem que ela fere um dos direitos humanos fundamentais que é considerado um bem de uso comum do povo e essencial à qualidade de vida que é o meio ambiente.

Depois dos parlamentares, especialistas e representantes dos órgãos ligados ao meio ambiente e do setor produtivo também falaram sobre a PEC e outras propostas de alterações de atos normativos referentes ao Licenciamento Ambiental em tramitação no Congresso Nacional (PLS nº 654/2015 do Senado Federal e PLC nº 3729/2004 e apensos da Câmara dos Deputados), bem como a proposta de alteração das Resoluções 01/1986 e 237/1997, em tramitação no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Os cidadãos presentes também puderam se manifestar e expressaram suas preocupações caso a PEC seja aprovada como está. A pesquisadora holandesa, Dorien Dolmar, falou sobre o aprendizado durante as discussões. “Estou fazendo um trabalho junto à Universidade Federal do Acre sobre os impactos da alagação de 2015, por isso me inscrevi na audiência porque tudo isso que discutimos aqui está relacionado a essa preocupação em conservar o meio ambiente”, explicou a pesquisadora.

O pesquisador Foster Brown falou sobre os paradigmas do desenvolvimento e conservação ambiental, depois foi a vez dos representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a representante do setor produtivo Adelaide Fátima. Eles reafirmaram o apoio para a derrubada da PEC65 . “Nós da indústria madeireira do Acre também acreditamos que a PEC65 seja um retrocesso e traria uma instabilidade jurídica muito grande para o nosso setor produtivo”, enfatizou Fátima.

De acordo com a procuradora de Justiça, Patrícia Rêgo, é importante levantar essas discussões com a população e o apoio dos parlamentares para que a PEC não seja aprovada é essencial. “ Nós não podemos permitir que, depois de tantas conquistas para a nossa sociedade e futuras gerações, ocorra esse retrocesso na nossa legislação ambiental”, explicou a procuradora sobre a PEC65. Para o procurador da República, Marino Lucianelli, a audiência pública cumpriu o papel de debater com a população um tema que interessa a todos. “ Ouvindo todas as pessoas que estiveram aqui e discutiram as ideias, continuaremos a mobilização junto à sociedade civil que deve cobrar dos parlamentares o compromisso de não deixar a PEC passar”, enfatizou o procurador da República.

login