Você está aqui: Página Inicial / Notícias do Portal do MPF / MPF garante rematrícula de estudantes de medicina da Unoeste com pagamentos em atraso

MPF garante rematrícula de estudantes de medicina da Unoeste com pagamentos em atraso

Apesar de baixo desempenho, programa de graduação ministrado em Presidente Prudente (SP) é um dos mais caros do país

A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal em Presidente Prudente (SP) proibiu que a Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) faça cobranças por atrasos de mensalidade no curso de medicina e garantiu que os alunos beneficiários do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) sejam rematriculados nos próximos semestres, ainda que estejam em inadimplência. A decisão liminar, concedida nesta segunda-feira (11), é resultado de uma ação civil pública que o MPF ajuizou contra a instituição de ensino devido aos aumentos abusivos no valor das parcelas mensais nos últimos anos.

Neste semestre, a mensalidade da graduação em medicina da Unoeste alcançou valor de quase R$ 10 mil. O curso de medicina da Unoeste é um dos mais caros do país, apesar de seu baixo desempenho (nunca recebeu conceito superior a 2 no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes – Enade). Só no ano passado, a universidade aplicou aumento de 13,2% no valor cobrado. As formas de reajuste são imprevistas, contrariam a legislação e prejudicam seriamente a continuidade dos estudos pelos alunos, muitos deles beneficiários Fies.

Com a escalada dos preços, os montantes cobrados acabam ultrapassando os limites financiados por meio do programa de crédito do governo federal, e a Unoeste exige o pagamento do excedente aos alunos. Estudantes de baixa renda não conseguem arcar com a diferença, que pode chegar a R$ 3,9 mil por semestre. A Unoeste, por sua vez, tem dificultado as negociações e tem deixado claro que a rematrícula será negada a quem permanecer inadimplente. Abandonar o curso torna-se, então, a única saída para muitos alunos que dependem da ajuda estatal.

“Restará ao beneficiário do programa uma dívida de mais de meio milhão de reais. Assim, o aluno de medicina da Unoeste, beneficiário do Fies, ao fim, não poderá adquirir uma capacitação profissional, terá desperdiçado longos anos de vida e, ainda, assumirá uma dívida impagável a quem não possui uma boa qualificação”, destacou o Ministério Público Federal no seu pedido de liminar.

O juízo da 2ª Vara Federal de Presidente Prudente, ao conceder a liminar levou em consideração os aumentos abruptos nas mensalidades: "Essas atitudes [reajustes irregulares] da demandada podem ter sido a causa da majoração da mensalidade para valores muito superiores ao limite máximo estabelecido pelo Fies", escreveu.

O MPF apurou que as receitas da Unoeste, a partir das mensalidades cobradas dos alunos de medicina, superam em muito as despesas do curso. Em 2017, a universidade desembolsou R$ 29,6 milhões com professores, materiais e outros gastos. Por outro lado, estima-se que os ganhos brutos possam chegar a R$ 172,9 milhões, considerando-se valores pagos mensalmente pelos quase 1,7 mil graduandos matriculados.

Ao final do processo, o MPF quer que a Unoeste seja condenada à restituição de valores abusivos cobrados desde 2013 no curso de medicina. A procuradoria pede ainda o pagamento de indenizações por danos morais a alunos que foram alvo de respostas grosseiras e irônicas ao tentarem negociar uma solução diante dos abusos praticados.

O número da ação é 5003198-05.2018.4.03.6112. A tramitação pode ser consultada aqui

login