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MPF na 5ª Região realiza doação de livros a presídio para estimular o aprendizado entre os reeducandos

Foram entregues cerca de 240 obras

Contribuir com a ressocialização dos reeducandos por meio da leitura. Foi com esse objetivo que o Ministério Público Federal (MPF) na 5ª Região doou, na última quinta-feira (16), cerca de 240 livros à Biblioteca Jardim do Conhecimento, localizada no Presídio Juiz Antônio Luiz Lins de Barros (PJALLB), que faz parte do Complexo do Curado, antigo Professor Aníbal Bruno. As obras tratam de temas da área jurídica, metodologia da pesquisa e informática, entre outros assuntos.

A entrega foi feita pelo procurador-chefe do Ministério Público Federal na 5ª Região, Marcelo Alves, ao secretário-executivo de Ressocialização, Cícero Rodrigues, e ao gerente do presídio, José Sidnei de Souza. Também estiveram presentes a secretária regional do MPF, Clarinda Veloso, e o chefe da Divisão de Segurança Orgânica e Transporte, Walter Lima.

Ao chegar à biblioteca, a equipe do MPF foi recebida às palmas por cerca de 30 presos que ocupavam as mesas, com livros nas mãos. “Espero que gostem das obras que estamos deixando aqui. É uma oportunidade para aprender, ressocializar e ajudar vocês a saírem do presídio e retomarem a vida com as suas famílias”, ressaltou Marcelo Alves.

Cícero Rodrigues reforçou a importância da doação dos livros para o presídio. “Por meio do processo de leitura, os reeducando despertam o interessam em estudar, saem do ócio e evitam pensar em coisas negativas. A doação vem ampliar o nosso acervo e dar mais oportunidade de conhecimento a todos”, assinalou.

Os livros faziam parte do acervo da biblioteca da PRR5. “O presídio manifestou interesse pelas obras e a Unidade, dentro dos critérios legais, achou que seria uma boa iniciativa fazer essa doação”, explicou Marcelo Alves.  

Diminuição da pena - José Sidnei de Souza agradeceu a ação e explicou o programa de remição de pena pela leitura existente no local. “A cada livro lido, o reeducando tem a pena diminuída em sete dias. Para isso, é preciso fazer um resumo ou resenha da obra, que será avaliada por uma comissão da Secretaria de Educação do Estado. Caso a pontuação não seja satisfatória, é dada uma segunda chance para que o trabalho seja refeito”, afirmou.  

Para o detento Moacir do Nascimento, 43 anos, que está no presídio há dez meses após ser condenado por receptação (ato de receber algo que seja produto de crime), a doação foi muito bem-vinda. “É muito importante incentivar a leitura. A biblioteca é um ambiente de muito valor. As pessoas chegam aqui no presídio com a autoestima baixa. O fato de estarmos segregados da sociedade nos deixa tristes. A leitura entra como uma válvula de escape desse sentimento”, comentou.

O reeducando Fernando Gonçalves, 55 anos, que cumpre pena há três meses também pelo crime de receptação, compartilha da mesma opinião. “Foi uma iniciativa fabulosa do Ministério Público Federal fazer essa doação. Ler é algo muito rico para a gente. Eu cheguei aqui deprimido e agora, sou outra pessoa. Com o livro, deixamos de ficar ociosos e ocupamos a mente de forma produtiva”, destacou.

Jardim do Conhecimento – A biblioteca, que funciona das 8h às 17h, possui um acervo que gira em torno de 4 mil exemplares, doados por pessoas físicas e jurídicas. São obras de poesia brasileira, autoajuda, saúde, comércio, indústria e jornalismo, entre outros assuntos. O local foi reformado no ano passado e passou a funcionar numa área de 73 metros quadrados, 48 a mais do que o antigo espaço, com cabines individuais para 12 lugares, mesas para leituras e trabalhos em grupo, TV e bebedouro.

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