Documentário sobre Pedro Jorge é apresentado ao representante do papa Francisco no Brasil
O documentário “Pedro Jorge: uma vida pela justiça”, produzido pela Procuradoria Regional da República da 5ª Região (PRR5) em parceria com a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), foi exibido para o representante diplomático do papa Francisco no Brasil, o núncio apostólico dom Giovanni D’Aniello, e para o arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido. A sessão especial ocorreu no último sábado (13), durante a reunião do clero arquidiocesano, no auditório da paróquia de Nossa Senhora das Graças, no bairro das Graças, Recife. Representaram a PRR5 o procurador-chefe, Marcelo Alves, e o PRR Marcos Costa. O reitor da Unicap, padre Pedro Rubens, também estava presente.
O procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva, assassinado em 1982 por ter denunciado os envolvidos no chamado Escândalo da Mandioca, tinha uma forte ligação com a Igreja Católica, tendo sido seminarista no Mosteiro de São Bento, em Olinda. A trajetória de Pedro Jorge dentro e fora da igreja, no entanto, ainda era desconhecida pelo núncio apostólico, que ficou surpreso com a intensidade da fé do procurador. “Tenho que dizer com muita sinceridade que eu descobri um personagem que não conhecia. Quando ele desapareceu, eu estava em outra parte do mundo. Então, conheci uma figura nova, um personagem novo que sei que tem o apreço de todos os pernambucanos pelo jeito com o qual ele defendeu a justiça, sobretudo sabendo que isso poderia lhe custar a própria vida. Então, ele foi em frente por amor à justiça, e é um personagem que merece a atenção de todos”, avaliou dom Giovanni D’Aniello.
Mesmo depois de deixar o seminário, Pedro Jorge continuou mantendo laços estreitos com a igreja. Na época em que foi assassinado, ele também trabalhava como advogado do Mosteiro de São Bento e chegou a ter um breve encontro com dom Fernando Saburido momentos antes de sua morte. O relato é feito no documentário pelo próprio arcebispo que, apesar de ser um dos entrevistados do média-metragem, ainda não o tinha assistido. “Realmente, eu estava curioso para conhecer o documentário, porque não tive a oportunidade de ver no dia que estreou. Tudo foi muito sintonizado, perfeito. Vocês estão dignos de parabéns”, elogiou dom Saburido.
Papel do Ministério Público - Para o MPF, o documentário é mais um instrumento de divulgação do papel do Ministério Público hoje. “Foi uma oportunidade única de levar o nosso documentário para o núncio apostólico, que é o representante do papa no Brasil, e para dom Fernando, nosso arcebispo. Até porque a vida de Pedro Jorge é dividida parte com a igreja e parte com o Ministério Público. Em ambas instituições, Pedro Jorge exerceu seu trabalho com sacerdócio”, pontuou o procurador-chefe Marcelo Alves. “Essa também é uma forma de estreitar os laços entre o MPF e outras instituições e de levar as nossas mensagens positivas sobre o trabalho e a dificuldade muitas vezes de realizar a justiça”, completou o PRR Marcos Costa.
O reitor da Unicap, padre Pedro Rubens, destacou que essa exibição do documentário para o núncio apostólico, o arcebispo e outros representantes do clero pode abrir portas para uma divulgação ainda maior da história de Pedro Jorge. “Ter o núncio apostólico aqui significa que vai ser uma forma de universalização de uma história que é bem situada nessa terra, uma biografia de um filho dessa terra, um homem de igreja, um homem de justiça. Então, acho que esse é o primeiro ato de universalização dessa história: uma testemunha do papa Francisco no meio de nós, o embaixador da Santa Sé e, portanto, é um sinal dessa maior abertura e universalidade dessa história particular que é um testemunho para todo mundo”, analisou padre Pedro Rubens.
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