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“O Brasil está se descobrindo Negro”, afirma Adriana Barbosa em Webinar

Evento promovido pela Série Cuidados e Bem-Estar discutiu empoderamento negro

“Eu sinto hoje que o Brasil está se descobrindo negro por que a gente passou por um longo processo de embranquecimento e de forma institucionalizada”, disse a CEO da Feira Preta, Adriana Barbosa, durante o Webinar Empoderamento Negro. O evento on-line foi realizado na última segunda-feira, 30, com a participação também da subprocuradora-geral da República Ela Wiecko, coordenadora do Comitê Gestor de Gênero e Raça do MPF. A proposta foi discutir o racismo nos tempos atuais e de que forma a sociedade, pessoas e instituições, sobretudo o MPF, podem contribuir para a desconstrução dessa prática e para o empoderamento do negro na vida pessoal e profissional.

Aprendi desde cedo a me virar” - Ao abrir o evento, Adriana Barbosa falou sobre sua trajetória de vida, como se descobriu negra, e como o empreendedorismo surgiu na sua vida, há quase 20 anos. De uma família de matriarcado, foi educada pela bisavó, avó e mãe e hoje tem uma filha. Aprendeu a se virar desde cedo, com a bisavó de mais de 80 anos. “Quando faltava grana, ela sempre criava alguma coisa para vender para ajudar no sustento de casa. Aprendi com ela, esse espírito da ‘sivirologia’, de me virar”, contou.

O Brasil se torna negro” - A experiência com o empreendedorismo veio quando ficou desempregada e precisou vender roupas em feiras nas ruas. Ela foi percebendo, assim, a mudança pela qual passava o país com o aumento da autodeclaração negra, o surgimento das cotas nas universidades e o forte movimento cultural negro. “Conforme fui aprendendo sobre as questões das relações raciais no Brasil, fui avançando com o tema também do empoderamento econômico da população negra através do empreendedorismo”, disse.

Potência inventiva e criativa” - Assim foi sendo assentado o terreno para a criação da Feira Preta. O evento, segundo Adriana, possibilita dar visibilidade para a população negra na sua potência inventiva e criativa; fomentar o tema de empreendedorismo no Brasil, estimular para que mais pessoas empreendam, além de tratar da questão da cultura negra numa perspectiva de valorização de todo seu legado histórico.

O MPF está enegrecendo” - No MPF, a boa notícia é que, aos poucos, o órgão está enegrecendo. A afirmação da subprocuradora-geral da República Ela Wiecko apoia-se no trabalho do Comitê de Gênero e Raça do MPF, que tem desenvolvido uma série de ações para conhecer o perfil do público interno do MPF e iniciativas com o propósito de promoção da equidade. “Apesar de ser uma percentagem pouca, o MPF está enegrecendo aos pouquinhos. Já temos mais pessoas pretas e pardas, ou seja, negras, do que nos anos anteriores”, afirmou.

Necessidade de enfrentar o racismo- Antropólogo do MPF em Santa Catarina, Marcos Farias de Almeida fez a mediação do webinar com a analista de Comunicação social do MPF no Paraná, Gladys Pimentel. Para Marcos, a necessidade de enfrentar o racismo deve ser de todos e não unicamente dos negros. “Se a gente pensar que a luta contra o racismo é um problema só dos negros ou que essa luta vai acelerar quando todos os negros tenham consciência do que eles são, a gente pode cair no problema muito sério que é o da omissão”, afirmou.

O webinar Empoderamento Negro integra a Série Cuidados e Bem-Estar, promovida pelas áreas de Qualidade de Vida no Trabalho e Bem-Estar das unidades do MPF em Santa Catarina, no Paraná, no Rio Grande do Sul e da Procuradoria Regional da República da 4ª Região.

Não conseguiu assistir ao Webinar? Reveja no Canal do Programa Bem Viver no YouTube.

Fonte: Assessoria de Comunicação do MPF no Paraná

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