Você está aqui: Página Inicial / Notícias do Portal do MPF / PGR denuncia deputado federal por apresentar recibo falso em prestação de contas eleitorais de 2014

PGR denuncia deputado federal por apresentar recibo falso em prestação de contas eleitorais de 2014

Deputado federal Thiago Peixoto (PSD-GO) disse que recebeu doação de R$ 30 mil em horas de voo, mas doador não confirma informação e exame aponta assinatura falsa no recibo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou nesta terça-feira (20), ao Supremo Tribunal Federal, o deputado Thiago Peixoto (PSD-GO) por falsificar documento para fins eleitorais (artigos 350 e 353 do Código Eleitoral, na forma do art. 70 do Código Penal). Segundo apuração conduzida pelo Ministério Público Eleitoral, o parlamentar apresentou documento inverídico em sua prestação de contas de campanha em 2014 para provar uma doação de R$ 30 mil em horas de voo. O suposto doador do serviço, no entanto, não confirma a versão do deputado.

Para a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a conduta do denunciado caracteriza dano moral coletivo, “porque atingiu os princípios mais caros exigidos do candidato público, para manter a lisura da disputa eleitoral, notadamente o equilíbrio no financiamento das campanhas, a transparência na origem dos recursos que financiam a campanha eleitoral, a confiança no controle feito pela Justiça Eleitoral”.

O caso foi descoberto, porque o valor informado na prestação de contas do deputado, em nome de um eleitor do município de São Carlos (SP), ultrapassava o limite legal de recursos de doação. Ao Ministério Público, o eleitor negou que tivesse feito qualquer doação para Thiago Peixoto ou para outro candidato e disse que não era sua a assinatura constante no recibo. Ele ainda esclareceu que o avião, citado na declaração eleitoral do deputado sobre doação de horas de voo, foi vendido em março de 2014 e apresentou o comprovante de venda.

Na denúncia, a PGR destacou que o exame grafotécnico revelou que a assinatura do recibo, de fato, não é do suposto doador. Para Raquel Dodge, trata-se de um documento falso usado para dissimular a origem de doações não identificadas em sua campanha.

Provas – Em depoimento, o piloto – que foi apontado pelo deputado como o responsável pela coleta da assinatura no recibo – afirmou ser “mentira” que teria sido encarregado de pegar assinatura de quem quer que seja. Ele confirmou que a aeronave foi vendida e que foi contratado por outra empresa para pilotar o avião a partir do mês de agosto. Nesse período, segundo a testemunha, fez vários voos para o empresário André de Assis (que comprou o avião), cujo passageiro era o deputado federal.

Para a procuradora-geral da República, os indícios da autoria do deputado são evidenciados pelo exame grafotécnico, pelos depoimentos do suposto doador e do piloto, além do documento falso apresentado ao Tribunal Regional Eleitoral de Goiás para dissimular a origem de doações não identificadas em sua campanha. Ela defende que a denúncia seja recebida e que o parlamentar indenize a União por danos morais coletivos no valor equivalente a 30 mil horas de voo.

INQ 4343

Íntegra da denúncia

Cota denúncia

login