Raquel Dodge pede igualdade em debate sobre papel da mulher na gestão da água
Debater o papel feminino em relação ao uso sustentável e igualitário dos recursos hídricos foi o objetivo da sessão “Mulheres: Perspectivas e desafios”, realizada nesta quinta-feira (22), no 8º Fórum Mundial da Água. O encontro, ocorrido no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, contou com a participação da presidente do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e procuradora-geral da República, Raquel Dodge.
O painel foi coordenado por Margarida Yassuda, da organização Parceria Mulheres pela Água. Além de Raquel Dodge, que atuou como palestrante, foram painelistas as representantes de organizações brasileiras e estrangeiras que lidam com a função da mulher na gestão dos recursos hídricos: Asha Abdurahm (Quênia); Apzu Ozyol (Turquia); a presidente da Agência Nacional de Águas, Christianne Dias (Brasil); Innan Uruthai (Nova Zelândia); Rosana Gariulli (Brasil); e Nin Thein (Myanmar).
“Aqui, no 8º Fórum Mundial da Água, nós, mulheres, temos uma reivindicação muito específica: queremos participar do modo como os recursos hídricos do nosso país são geridos”, disse Dodge, durante o pronunciamento. Ela lembrou também a presença de outras mulheres ocupando cargos de liderança na administração pública brasileira, como a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia; a presidente do Superior Tribunal de Justiça, Laurita Vaz; e a advogada-geral da União, Grace Mendonça. “É um momento especial na história do país e uma feliz coincidência, pois este ano celebramos os 30 anos da Constituição Federal de 1988”, disse Raquel Dodge.
Ainda na fala, a presidente do CNMP explicou que a Constituição Federal estabeleceu que os direitos humanos são um elemento central de sua estrutura e um eixo do qual derivam todas as outras normas da Carta. Dodge lembrou da luta das mulheres, no último século, por direitos fundamentais e participação na vida pública. Ela destacou passagens importantes de campanhas femininas, como o movimento sufragista, a busca por cidadania, a conquista do direito ao voto, a luta por direitos civis, direitos sexuais e reprodutivos, bem como por direitos econômicos, sociais e culturais. A participação das mulheres na política e a presença delas nas universidades também foram aspectos ressaltados no discurso.
“Precisamos de igualdade de oportunidades, igualdade de participação, igualdade de financiamentos e igualdade na gestão pública”, disse Raquel Doge. “Agora, no século XXI, o que nós queremos é direitos humanos”, completou. Para a PGR, a igualdade é o reconhecimento de que se deve tratar homens e mulheres com o mesmo respeito.
Na sessão, também foi discutida a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável, proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU). Os debates vão se transformar em um documento orientador, que servirá como um legado pós-fórum.
Fórum - O 8º Fórum Mundial da Água começou em 18 de março e se estende até amanhã (23). O Ministério Público participa, pela primeira vez, do evento. A secretária de direitos humanos e defesa coletiva do CNMP, Ivana Farina, coordena a participação do MP no evento. O estande do MP brasileiro está montado na feira, no Estádio Nacional Mané Garrincha. No local estão sendo apresentados projetos, ações e vídeos do CNMP, Ministério Público Federal (MPF), Escola Superior do Ministério Público (ESMPU) e unidades do Ministério Público nos estadosl. A feira é um local gratuito e aberto ao público, sem necessidade de inscrição.
Fotos do Fórum Mundial da Água
Fonte: CNMP

