Evento no MPF é marcado pela defesa e reconhecimento de imigrantes e refugiados
O Ministério Público Federal (MPF) em Santa Catarina, por meio do Programa Bem Viver, em parceria com o Círculos de Hospitalidade, realizou na semana passada, dia 10, o "II Inspiração e Ação: Transformando Mundos e Pessoas - Deslocamentos e Crises Humanitárias". Com duas mesas de debates, o evento foi marcado pela defesa do reconhecimento de imigrantes e refugiados como seres humanos e a necessidade de assegurar os seus direitos em tempos de retrocessos e intolerância.
O procurador-chefe do MPF em SC Darlan Airton Dias e o procurador regional dos Direitos do Cidadão Cláudio Cristani participaram da abertura do evento, ao lado da professora Karine de Souza Silva, da UFSC, Bruna Kadletz, do Círculos de Hospitalidade, e da coordenadora do evento Cynthia Orengo, do MPF.
Logo depois da abertura, pela manhã, foi feito o debate "Intercâmbio de Saberes: Angola", mesa composta pelos angolanos Domingos Amândio Eduardo, idealizador do Instituto Hazziel; João Paulino Fernando, formado em Direito Jus Econômico pela Universidade Católica de Angola; Palmira Tyitula Kalembela, estudante de Engenharia Ambiental e Sanitária da Udesc; e Alexandre Manganda, estudante de Ciências Econômicas da UFSC. A mediação foi realizada pela doutora em Direito Internacional Karine de Souza Silva. Os relatos permitiram ao público conhecer um pouco da história e do cotidiano de quem vive em Angola. “Não podemos contar a nossa história pelas lentes dos europeus”, destacou João Paulino.
À tarde a mesa "Direitos Humanos em tempos de deslocamentos e xenofobia" ressaltou a dificuldade da sociedade em reconhecer e conviver com as diferenças. Os participantes foram Gloire Mvangi Nkialulendo, mestranda em Direito Internacional pela UFPR; Hasan Zafir, ativista social e coordenador do Centro Cultural Al Janiah, de São Paulo; e João Akira Omoto, procurador regional da República e diretor da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU), que compartilharam suas experiências referentes ao tema e a crença de que a educação é o caminho para o combate à intolerância. “Ninguém nasce refugiado ou imigrante”, disse Gloire. A mesa foi coordenada pela idealizadora e fundadora do Círculos de Hospitalidade, Bruna Kadletz.
Durante o evento foi realizado o lançamento da campanha “Hospitalidade sem fronteiras: por um mundo livre de xenofobia” e racismo que consistirá na coleta de relatos de quem passou por estes preconceitos. Até o final do ano será feito um compilado que resultará em um documentário.
No final do evento os participantes puderam conhecer os produtos da "Feira Multicultural Unindo Mundos, Aproximando Fronteiras", protagonizada por imigrantes e refugiados, que trouxeram um pouco de sua cultura, arte e culinária.

A mesa de debate da manhã (a partir da esq.): Alexandre Manganda, João Paulino Fernando, Karine de Souza Silva, Palmira Tyitula Kalembela e Domingos Amândio Eduardo
Debate da tarde (a partir da esq.): Gloire Nkialulendo, Bruna Kadletz, João Akira Omoto e Hasan Zafir

