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Raquel Dodge recebe Missão de Observação Eleitoral da OEA para falar sobre atuação do MP nas eleições

Informações servirão de base para relatório, que incluirá recomendações sobre os aspectos estruturais do processo eleitoral brasileiro

A procuradora-geral Eleitoral, Raquel Dodge, recebeu os integrantes da Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), que está acompanhando as eleições gerais no Brasil. No encontro, a chefe da missão, Laura Chinchilla, destacou que o grupo tem feito avaliação positiva do funcionamento do sistema eleitoral brasileiro e da atuação das autoridades para garantir o equilíbrio e a segurança da disputa. O objetivo da visita foi conhecer o trabalho do Ministério Público Eleitoral, que atua como fiscal do cumprimento da legislação para assegurar a lisura do pleito.

A PGE destacou que o MP Eleitoral conta com mais de 3 mil membros atuando em todo o país, para garantir eleições justas e livres. Ela explicou que emitiu cinco instruções para orientar e uniformizar a atuação dos membros em diversos temas, como fake news, casos de inelegibilidade, financiamento de campanhas femininas, entre outros. Um dos documentos orienta os procuradores a requerer na Justiça a devolução de recursos públicos usados nas campanhas de candidatos inelegíveis. Para Raquel Dodge, a medida é necessária no atual contexto eleitoral brasileiro em que o financiamento público passou a ser a principal fonte de custeio.

Outra novidade das eleições deste ano, segundo a PGE, é a necessidade de os partidos destinarem, ao menos, 30% dos recursos públicos de campanha às candidaturas femininas. A exigência é fruto de pedido feito pelo Ministério Público Federal (MPF) ao Supremo Tribunal Federal (STF). Raquel Dodge destacou, ainda, a possibilidade de transgêneros e travestis usarem nomes sociais nas urnas e no título de eleitor, além de serem computados nas cotas de gênero, conforme a autoidentificação. “Essas mudanças contribuem para o fortalecimento da democracia”, afirmou.

A PGE voltou a reforçar a segurança do sistema eletrônico de votação, que conta com mecanismos transparentes de auditoria acompanhados pelo MP Eleitoral. “O sistema se revela exitoso e seguro, pois conta com diversos mecanismos de checagem postos à disposição de partidos, eleitores, Ministério Público e fiscais internacionais”, explicou. O vice-procurador-geral Eleitoral, Humberto Jacques, também ressaltou a logística aplicada à organização das eleições, que contam com cerca de dois milhões de mesários voluntários, capacitados pela Justiça Eleitoral para atuar no pleito.

Fake news – A chefe da missão da OEA explicou que o grupo tem observado, com preocupação, a propagação online de notícias falsas sobre as eleições brasileiras e reconheceu os esforços que vêm sendo empreendidos pelas autoridades para combater a difusão desse tipo de conteúdo. Raquel Dodge afirmou que o MP Eleitoral busca garantir a livre manifestação política, mas atua para combater abusos que possam interferir no equilíbrio da disputa eleitoral. Na última semana, ela requisitou à Polícia Federal (PF) a instauração de inquérito para apurar se empresas de tecnologia da informação têm disseminado, de forma estruturada, mensagens em redes sociais referentes aos dois candidatos que disputam o segundo turno das eleições para presidente da República.

Como fruto da missão realizada no Brasil, a equipe da OEA vai elaborar um relatório, que incluirá observações e recomendações sobre os aspectos estruturais do processo eleitoral brasileiro. O documento vai abordar questões relativas a financiamento de campanha, à participação política das mulheres, à Justiça Eleitoral, ao acesso aos meios de comunicação, à liberdade de expressão e à participação dos povos indígenas e afrodescendentes.

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