MPF sedia reunião do Fórum Perinatal sobre sífilis e HIV em gestantes
A Procuradoria da República no Rio de Janeiro (PR/RJ) recebeu a XXª Reunião do Fórum Perinatal da Região Metropolitana I do Rio de Janeiro, no dia 27 de junho de 2018, cujo tema principal:"O Contexto da Sífilis e HIV/AIDS na Rede Cegonha e no Estado do Rio de Janeiro".
No início do encontro, foi apresentado o perfil epidemiológico da população nacional e fluminense em relação à sífilis e HIV e o protocolo clínico da Subsecretaria de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde, oportunidade em que se destacou que, em 2015 (último ano com dados consolidados), no Estado do Rio de Janeiro, foram notificados 3.581 casos de sífilis congênita. No mesmo ano: 42% das gestantes tiveram a sífilis diagnosticada no momento do parto/puerpério, 75,1% gestantes receberam assistência pré-natal no período da gestação e apenas 10,4% das gestantes tiveram o parceiro tratado, a demonstrar a importância do diagnóstico prévio da doença e tratamento na gestante no pré-natal e ainda a relevância da adesão do seu parceiro ao tratamento. 
O grande problema da sífilis é que, na maioria das vezes, as mulheres não têm sintomas e só se descobre a doença após o exame. Ao nascer, a criança pode ter pneumonia, feridas no corpo, cegueira, problemas ósseos, surdez ou deficiência mental. Em alguns casos, a sífilis pode ser fatal.
Na reunião, também houve a apresentação da implantação da Linha de Cuidado das Infecções Sexualmente Transmissíveis no Município do Rio de Janeiro pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro com a descentralização para a atenção primária do diagnóstico e tratamento das gestantes com doenças sexualmente transmissíveis que já vem ocorrendo desde 2015 e, ainda, a previsão de alocar infectologistas dentro de cada CAPs (Coordenadorias de Atenção Primária).
Por fim, houve a fala da sociedade civil organizada, representada pela entidade "Mulheres Vivendo com HIV/Aids" que colocaram o quanto é difícil para a mulher conviver com as doenças sexualmente transmissíveis e o quanto é difícil levar o companheiro p fazer o seu tratamento, indispensável para o tratamento da mulher e ainda evitar a transmissão para ao feto.
Fórum Perinatal
O Fórum Perinatal da Região Metropolitana I do RJ foi lançado em maio de 2015. Com previsão na Portaria GM/MS 1.459/2011 que institui a Rede Cegonha, o Fórum é espaço includente, democrático e participativo que tem por objetivo a construção de consensos e referenciais ético-políticos para planejamento, avaliação e coordenação da Política de Atenção Perinatal, aberto a todos os cidadãos. É também espaço formativo, de troca de saberes e experiências, capaz de contribuir com a construção, organização e fortalecimento da rede perinatal, com o estabelecimento claro de uma linha de cuidado integral materno-infantil na região.
Diante disso, o Fórum Perinatal se propõe a discutir as garantias dos direitos da mulher e da criança; adotar medidas e estratégias para a redução da mortalidade materna e neonatal, através de atividades que contribuam para a melhoria técnica e acadêmica dos profissionais envolvidos na atenção e assistência perinatal, além da atuação junto aos gestores e serviços de saúde; adotar um modelo de atenção adequado ao pré-natal, parto e nascimento que favoreça a fisiologia do nascimento promovendo a saúde da gestação à vida adulta; bem como promover ações de divulgação sobre a atenção à saúde da mulher e do recém-nascido e seus principais indicadores, em articulação com a sociedade civil organizada e instituições de saúde.
Para tanto, o Fórum Perinatal avalia a assistência dada à mulher no pré-natal, aborto, parto, puerpério e ao recém-nascido e à criança menor de dois anos, nos municípios da região, relacionadas com as causas de morbi-mortalidade materna, perinatal e infantil; elabora propostas e orienta as ações de organização de atenção qualificada à mulher no pré-natal, aborto, parto, puerpério e ao recém-nascido e à criança menor de dois anos, com o objetivo de reduzir a mortalidade materna, perinatal e infantil por causas evitáveis; faz o monitoramento da assistência oferecida à mulher no pré-natal, aborto, parto, puerpério e ao recém-nascido e à criança menor de dois anos nos municípios da citada região, relacionadas com as causas de mortalidade materna, perinatal e infantil; articula os órgãos da rede perinatal para informá-los e sensibilizá-los sobre as discussões e proposições do Fórum Perinatal; bem como divulga os dados e propostas elaboradas pelo Fórum Perinatal para os órgãos competentes e a sociedade em geral com o objetivo de orientar sobre as intervenções necessárias à qualificação da Rede Perinatal.
Com representantes de diversos órgãos, entidades e da sociedade, o Fórum Perinatal se reúne, desde maio de 2015, bimensalmente. Por isso mesmo, no final da reunião que ocorreu no MPF, foi colocado que no próximo encontro do Fórum Perinatal será discutida a devolutiva do Ministério da Saúde sobre o Monitoramento feito nas 28 maternidades da Região Metropolitana I.

