Testes e produção da vacina contra covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford são temas de reunião
A Comissão Externa da Câmara dos Deputados destinada a acompanhar o enfrentamento da pandemia da covid-19 promoveu nessa quarta-feira (1º) reunião para tratar do desenvolvimento de vacina pela Universidade de Oxford em parceria com a empresa AstraZeneca. Acordo fechado pelo governo brasileiro garante que essa vacina seja testada em 5 mil voluntários no país, a partir de parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), além de prever a transferência de tecnologia e de matéria-prima para produção da vacina no país, casos os testes sejam satisfatórios. O encontro contou com a participação de representantes da AstraZeneca Brasil, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Ministério da Saúde, Anvisa, da Unifesp, do Instituto de Pesquisa e Ensino da Rede D’OR (Idor), da Fundação Lemann, além do embaixador do Reino Unido no Brasil, Vijay Rangarajan. A pesquisa desenvolvida pela AstraZeneca junto com a Universidade de Oxford já está na fase 3, etapa de estudos clínicos, com testes em seres humanos. Atualmente, existem quase 200 estudos em andamentos no mundo, sendo que apenas 27 estão na fase de estudos clínicos.
A diretora médica da AstraZeneca Brasil, Maria Augusta Bernardini, apresentou o histórico da pesquisa. Em abril de 2020, a vacina entrou na fase de estudos clínicos no Reino Unido. O Brasil é o segundo país a aderir ao estudo. No fim de junho, teve início a etapa de escolha dos voluntários que receberão a vacina em caráter de teste. Serão, inicialmente, 2 mil voluntários no estado de São Paulo, acompanhados pela Unifesp, e mil no Rio de Janeiro, acompanhados pelo Instituto de Pesquisa e Ensino da Rede D’OR. Eles devem ser adultos, entre 18 e 55 anos, ter alta exposição ao coronavírus (profissionais da saúde). Além disso, não podem ter histórico de infecção pelo vírus confirmado em laboratório, nem ter apresentado falta de ar, febre e tosse, desde fevereiro de 2020.
A presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Nísia Trindade de Lima, ressaltou que o objetivo da parceria é salvar vidas. Esclareceu que, com o acordo, o governo optou pela “encomenda tecnológica”: ou seja, aquisição sem a conclusão da pesquisa, diante do avanço da doença e da necessidade de uma resposta mais rápida. A Bio-Manguinhos, unidade produtora de vacinas da Fiocruz, irá finalizar a produção das vacinas a partir da matéria-prima encaminhada pela AstraZeneca. Se os resultados dos testes forem satisfatórios, a previsão é que a primeira etapa da vacinação no Brasil ocorra em dezembro deste ano, com a disponibilização de quase 16 milhões de doses. Os grupos prioritários estão em fase de definição. De acordo com Mauricio Zuma, diretor da Bio-Manguinhos, o cronograma de vacinação contra outras doenças será mantido em todo o país. Estão sendo produzidas as demais vacinais que fazem parte do Programa Nacional de Imunização para que não haja nenhuma interferência. Ainda não é possível saber se apenas uma dose da vacina será suficiente para imunizar as pessoas por tempo indeterminado.
De acordo com a diretora do Programa Nacional de Imunização (PNI) da Secretaria de Vigilância Sanitária, Francieli Fantinato, a distribuição da vacina será feita pelo Ministério da Saúde aos estados, que encaminharão as doses aos municípios para entrega em mais de 37 mil salas de vacinação. Num primeiro momento, o papel do PNI será o de acompanhar as discussões e ir avaliando a definição dos grupos prioritários. Num segundo momento, farão o monitoramento dos efeitos adversos da vacina.

