“Eu Sou Respeito”: evento online marcou lançamento de nova campanha do MPF
A campanha Eu Sou Respeito foi lançada oficialmente nessa quinta-feira (14), em evento transmitido ao vivo, no Youtube, pelo canal do Ministério Público Federal (MPF). A iniciativa visa a fomentar o debate sobre o respeito à diversidade em todo o país, sendo promovida pelo MPF, por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Rio Grande do Sul (PRDC/RS), em parceria com os cursos de Comunicação do Centro Universitário Metodista – IPA.
Na função de mediador do evento, o procurador regional dos Direitos do Cidadão no Rio Grande do Sul (PRDC/RS), Enrico Rodrigues de Freitas, deu início à atividade agradecendo a todos que auxiliaram na construção da campanha Eu Sou Respeito. Lembrou que a iniciativa é financiada por verba oriunda de termo de compromisso assinado com o Santander Cultural, em razão do fechamento antecipado da exposição “Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, em setembro de 2017. Além de custear a campanha, parte do valor será destinada para o desenvolvimento de projetos e ações na área de direitos humanos, conforme o edital de projetos publicado em dezembro de 2020, e cujas inscrições foram abertas nessa quinta-feira (14).
De acordo com o procurador, a campanha tem três objetivos principais: “realizar um ato de memória dos graves acontecimentos que violam a liberdade artística e cultural representado pelo fechamento antecipado da exposição ‘Queermuseu’; servir de mecanismo de acompanhamento dos projetos e ações construídos em decorrência do edital e divulgando suas iniciativas; e provocar a sociedade brasileira a refletir sobre a importância do respeito à diversidade e à liberdade de expressão”.
O procurador federal dos Direitos do Cidadão, Carlos Alberto Vilhena, também prestigiou o evento e afirmou ter certeza de que os projetos selecionados por meio do edital proporcionarão importantes debates à sociedade. Segundo ele, além de prestigiar a iniciativa e contribuir para que ganhe amplitude nacional, a participação da PFDC na campanha tem como principal propósito “estimular, em todo o país, reflexões e ações sobre o respeito à diversidade e o combate a todo tipo de violência ligada ao gênero, à intolerância, ao preconceito e ao discurso de ódio”. Em dezembro, a campanha passou integrar o Projeto “Respeito e Diversidade”, do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), com o apoio da PFDC.
Para Claudia Paim, chefe da Procuradoria da República no Rio Grande do Sul (PR/RS), a unidade conseguiu transformar um ato de intolerância em um projeto significativo, por meio da elaboração da campanha em defesa da tolerância e da diversidade. A procuradora agradeceu ao reitor, aos professores e aos alunos do IPA por terem “colocado o coração nesse trabalho”, ao procurador Vilhena por dar projeção nacional à iniciativa, e em especial à cantora Valéria Barcellos, à ativista afroindígena Alice Guarani e ao professor Márcio Chagas por emprestarem as suas falas, rostos e histórias “mostrando as dificuldades por que passam e a necessidade da sociedade ter mais respeito”.
Reitor do Centro Universitário Metodista – IPA, Marcos Wesley considerou a participação da instituição na campanha motivo de honra, além de uma grande responsabilidade. Ele também agradeceu aos estudantes dos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda pela disposição e pelo profissionalismo com que abraçaram o projeto, bem como aos professores e à coordenadora dos cursos de comunicação da universidade, Valéria Deluca, que também esteve presente no evento. Para ela, “a campanha é uma importante ação que demonstra o quanto estamos alertas e de que somos capazes de nos mobilizarmos em prol de um mundo mais acolhedor, livre, fraterno e justo”.
Na avaliação de Alex Ramirez, professor do IPA e diretor artístico da campanha, o país vive hoje um momento de acirramento do ódio, do preconceito e da intolerância, o que torna a luta por respeito ainda mais necessária. “Respeitar é reconhecer o valor do outro na sociedade, é incluir, e é disso que a nossa campanha quer falar. Fazer refletir que sem o respeito não temos nada, não seremos nada e não seremos ninguém”, ponderou.
“Queermuseu” – A segunda parte do evento foi dedicada a refletir sobre o significado do fechamento antecipado da exposição “Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, em uma edição especial do projeto Lugar(es) de Fala, da qual participaram o curador Gaudêncio Fidelis e as artistas visuais Ana Norogrando e Gilda Vogt.
Enrico de Freitas disse considerar o fechamento antecipado da exposição o primeiro grande ataque à liberdade artística em tempos recentes. Mas, segundo ele, não se trata de um ato isolado, pois “há uma linha de ataques e de busca de atuações que levam a uma censura indireta ou à autocensura, e a um silenciamento tanto no campo da educação quanto no campo artístico e cultural”.
O procurador observou que, mesmo não sendo uma reparação total pelo fechamento da exposição, a campanha e o edital de projetos lançados “são uma forma de demonstrar a esses discursos de ódio que eles não têm poder para vencer em uma sociedade livre e democrática”.
Gaudêncio Fidelis acredita que os ataques à “Queermuseu” foram uma tentativa de desencadear um processo de criminalização da arte e da cultura e de naturalizar a censura no âmbito dos costumes. No entanto, afirma que a reação ao seu fechamento, com o início de uma campanha internacional para reabrir a exposição – o que veio a acontecer um ano depois, no Rio de Janeiro - “foi um grande movimento de resistência nunca antes visto nos campos das exposições no Brasil”.
Fidelis também destacou a atuação do MPF no caso, que considerou fundamental e estratégica. “O MPF forneceu um exemplo muito significativo de que é possível sim que as instituições reajam, tenham força e consigam encaminhar um processo de recuperação de justiça, do estabelecimento do estado direito, e também, nesse caso, de uma significativa reparação”, afirmou.
A artista visual Ana Norogrando considera que um dos grandes problemas ocasionados pelo seu fechamento abrupto foi não ter permitido que os artistas pudessem defender os seus trabalhos perante a opinião pública. “Ninguém teve acesso para verificar se o que estava sendo dito na mídia realmente procedia ou não”, lamentou. Mesmo considerando o reparo que está sendo feito por meio da campanha significativo, Ana considera que o fechamento da “Queermuseu” deixou marcas profundas na arte e cultura do país.
Para artista Gilda Vogt, o caso da “Queermuseu” sinalizou o início de uma fase do país marcada por questões de preconceito, da falta de respeito e de desumanidade. Nesse sentido, ela ressaltou que as questões abordadas pela campanha Eu Sou Respeito precisam ser faladas e enfrentadas. “Não tem como ficar silenciando essas questões, mesmo que acabem sendo usadas como ferramenta para censura”, ponderou.
A íntegra do evento está disponível aqui.
Acompanhe as ações da campanha
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