Você está aqui: Página Inicial / Notícias do Portal do MPF / Em nota pública, PFDC defende manutenção de política de saúde mental pautada na desinstitucionalização psiquiátrica

Em nota pública, PFDC defende manutenção de política de saúde mental pautada na desinstitucionalização psiquiátrica

Documento reforça a necessidade de fortalecimento dessa política e aponta equívocos em manifestação sobre o tema publicada pela Associação Brasileira de Psiquiatria e o Conselho Federal de Medicina

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal, lançou nesta sexta-feira (22/9) nota pública na qual defende a continuidade na execução da política de saúde mental adotada pelo Estado brasileiro, cujos princípios estão pautados na desinstitucionalização psiquiátrica – prevista na Lei Nº 10.216/2001, que instituiu a Reforma Psiquiátrica no Brasil.

O documento reforça a necessidade de fortalecimento dos mecanismos de atuação dessa política e aponta equívocos em manifestação sobre o tema publicada no último dia 20 de setembro pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina. Em nota conjunta, a ABP e o CFM apontaram irregularidades na condução de programas e políticas públicas na área e defenderam a constituição de um grupo de trabalho para discutir a condução da atual política de saúde mental no País.

Para a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, embora algumas das informações apresentadas pela ABP e o CFM tragam luz a falhas no controle de recursos públicos – o que certamente merece reflexão e mudança de rumos – essas incorreções não justificam alterações que possam inibir ou limitar os serviços prestados pela atual política de atenção à saúde mental.

“Eventuais falhas na implementação de ações e programas na área não podem servir de fundamento para modificações nos princípios essenciais da atual política de saúde mental no Brasil – que buscam ser alcançados com a oferta de serviços extra-hospitalares, notadamente Centros de Atenção Psicossocial, Serviços Residenciais Terapêuticos e Unidades de Acolhimento”, defende a PFDC.

O órgão do Ministério Público Federal ressalta que o relatório da Coordenação-Geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde – que subsidiou a análise feita pelo CFM e a ABP – presume que não existem serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) não credenciados pelo Ministério da Saúde, o que revela, no mínimo, grave desconhecimento sobre a área.

“Atualmente, há dezenas de processos de habilitação de Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) que tramitam morosamente na Coordenação de Saúde Mental. De resto, problemas burocráticos e demora nas providências a cargo do Ministério da Saúde afetam não apenas a política da saúde mental, havendo subfinanciamento das ações pelo Ministério da Saúde”, destaca o texto.

A nota pública da PFDC lembra ainda que se os atuais incentivos financeiros não ensejaram mudança suficiente no modelo de atenção à saúde mental no Brasil – problema que, ressalte-se, não está restrito a essa política pública – a única conclusão possível é a de que há necessidade de outras ações de incentivo, especialmente de articulação e de apoio técnico.

O documento lista 11 tópicos que respondem críticas à política de saúde mental feitas pelo Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria, além de conclamar secretários municipais e estaduais de saúde, o Ministério da Saúde, a própria ABP e o CFM a buscarem as medidas que garantam os direitos assegurados à pessoa com transtorno mental previstos na Convenção sobre Direitos das Pessoas com Deficiência e nas Leis Nº 10.216/2001 e 13.146/2015.

Acesse aqui a íntegra da nota pública.

login