Evento no MPF debate como instituição deve mudar neste século
“Meu desafio é convidar os espectadores a refletir a natureza e a realidade do MPF à luz das seguintes colocações: se fosse possível e não houvesse nenhuma limitação, qual seria a natureza ideal da instituição para criar o melhor MPF de todos os tempos?”. Foi com essa provocação que o procurador regional da República Maurício Andreiuolo abriu a palestra on-line “O MPF no século XXI: governança, gestão e transformação num sistema caórdico”, promovida pelo MPF na 2ª Região (RJ/ES) no último dia 25/05 e acompanhada por cerca de 50 pessoas.
Entendendo-se como caórdico aquilo que reúne os elementos de caos e ordem, Andreiuolo propôs uma reflexão sobre o MPF não a partir de suas questões internas, mas de uma perspectiva geral de mundo, que “é uma perspectiva extremamente relevante para que nós não sejamos a avestruz que coloca a cabeça no buraco e fica dizendo que a instituição é um lugar sem alternativas”. Segundo o palestrante, há uma crise global de paradigmas, já que o paradigma mecanicista, de natureza mais cartesiana e que não entende como progresso nada que não seja quantificável, não responde mais à complexidade da sociedade atual.
“A crise enfrentada pelo MPF não é uma questão apenas interna ou relativa ao momento do país, mas parte de um contexto de mundo”, em que, de acordo com o procurador, os atores sociais, como os cidadãos ou o próprio MPF enfrentam questões sociais por meio de paradigmas distintos, gerando tensões. “Todos os envolvidos, sejam procuradores, servidores e cidadãos, podem ter visões em perspectivas para oferecer soluções maduras”, ponderou.
Na palestra, Andreiuolo apresentou a ideia do paradigma holístico, que, diferentemente do pensamento linear, é todo calcado na ideia de complexidade. “O sistema complexo foi a resposta que a academia deu à seguinte indagação: se há várias causas e subcausas para um efeito, como eu faço para dar conta desse emaranhado de problemas?”. Para o palestrante, a chave está em “repactuar o pensamento”, saindo do binômio causa-efeito, trabalhando com diferentes variáveis em um sistema complexo, de problemas e consequências sempre em interação.
É desse cenário que surgem as organizações caórdicas, “que são aquelas organizações em que os dirigentes procuram comungar com os colaboradores objetivos comuns visando a atingir finalidades também comuns”. Segundo o palestrante, a partir dessa concepção, o gestor não se coloca apenas numa posição de autoridade, mas em um viés mais colaborativo. “Nessa perspectiva, trabalha-se com o conceito de autorregulação, o que é extremamente importante para compreender o MPF, já que o MPF previsto pelo constituinte é todo autorregulado. A organização caórdica é da essência do MPF”, afirmou no evento.

