FPI Minas resgata 295 animais silvestres criados ilegalmente
Equipes da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI), realizada na região Noroeste de Minas Gerais no período de 25 a 30 de novembro, resgataram 295 animais da fauna silvestre que eram criados ilegalmente.
140 desses animais foram entregues de forma voluntária por moradores das cidades de João Pinheiro, Presidente Olegário, Patos de Minas e Vazante. Os outros 155 foram apreendidos durante as ações de fiscalização.
A maioria absoluta dos animais era de aves. Foram mais de 70 papagaios (69 papagaios verdadeiros e 6 papagaios galegos), mas também foi grande o número de periquitos, maritacas, jandaias e tucanos, além de pássaros como azulão, pintassilgo, colarinhos de várias espécies, curiós, bem-te-vis e três exemplares de bicudo, uma das espécies mais ameaçadas do cerrado.
Alguns animais chegaram em condições precárias de saúde: obesidade, penas quebradiças e malformadas, crescimento exagerado das unhas. Um dos casos de destaque foi uma fêmea de azulão que estava com as vias aéreas totalmente obstruídas - situação clínica chamada de rinolito - e teve de ser submetida a um procedimento para abrir as narinas.
De acordo com o médico veterinário Érico Furtado, do Instituto Estadual de Florestas (IEF), os problemas de saúde devem-se geralmente à falta de higiene das gaiolas e dos criadouros. "O acúmulo de fezes e poeira e até comida velha e mofada são ambientes propícios para o surgimento de doenças em pássaros", afirma.
"As pessoas precisam entender que o animal silvestre não foi feito para viver em cativeiro. Aquele não é o seu habitat natural, o que significa que as condições em que ele se desenvolveria não ocorrem ali e isso impacta em sua saúde. É o caso, por exemplo, de pássaros que têm um crescimento exagerado das unhas, porque a gaiola não lhes permite o desgaste natural que teriam na natureza", explica o médico do IEF.
Os animais resgatados pela FPI Minas foram encaminhados a um Centro de Triagem (Cetas) provisório, onde receberam os primeiros tratamentos. Cada um deles foi minuciosamente examinado e recebeu uma anilha de identificação dos órgãos ambientais.
Nesta sexta-feira, 140 animais foram levados para o Cetas do Ibama em Brasília (DF) e sete para o Cetas do IEF em Juiz de Fora (MG), onde permanecerão até que estejam prontos para voltar à natureza.
148 animais já voltaram ao seu habitat: eles foram soltos em área controlada, com condições ambientais propícias para sua readaptação.
Conscientização - A ação de entrega voluntária promovida pela FPI Minas foi responsável por praticamente metade do total dos animais resgatados nessa fase da operação.
De acordo com o médico veterinário da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad), Aníbal Souza, que participou das duas etapas da FPI Minas realizadas nas regiões Norte e Noroeste do estado, há vários fatores que motivam as pessoas a entregarem espontaneamente seus animais.
"Manter animal silvestre em casa é crime, mas na entrega voluntária o cidadão não sofre nenhuma penalidade. Isso pesa na decisão. Em outros casos, a pessoa se sensibiliza quando dizemos que animal silvestre não é doméstico, que esse não é um ambiente adequado e que será melhor para ele retornar ao seu habitat natural", ressaltou.
Para o superintendente de Estratégia e Fiscalização Ambiental da Semad, Flávio Aquino, "a ação de entrega voluntária tem enorme peso na educação ambiental, porque leva as pessoas a refletirem e a mudarem seus comportamentos voluntariamente. Por isso, para a FPI, que busca fazer da prevenção um ativo ambiental, essa iniciativa, do ponto de vista estratégico, revelou-se extremamente bem-sucedida".

