FT Greenfield dá 5 dias para J&F esclarecer transações consideradas suspeitas por órgão de inteligência financeira americana
A Força-Tarefa Greenfield quer que a J&F explique o aparente vínculo da JBS com a offshore Unifleisch e outras empresas do mesmo tipo. O pedido ocorre após vir a público pela imprensa, na última sexta-feira (25), um relatório do Financial Crimes Enforcement Network - unidade de inteligência financeira americana – apontando transações suspeitas realizadas pela Unifleisch, envolvendo centenas de milhões de dólares. Como a empresa não consta no acordo de leniência fechado com o grupo, a Força-Tarefa Greenfield oficiou nessa terça-feira (29) a holding e pediu informações sobre os fatos, acompanhadas da devida comprovação documental. A resposta deve ser dada em cinco dias.
Além da J&F, os procuradores também acionaram a própria JBS, a Receita Federal e o Banco Central do Brasil. Nesses últimos dois casos, os procuradores perguntaram ainda se há ou houve algum procedimento aberto pelos respectivos órgãos a respeito dos fatos apontados pelo FinCEN. Em caso negativo, o MPF solicita que a Receita e o Bacen informem eventuais providências adotadas a partir do recebimento dos ofícios.
Ligação com Wassef – O documento enviado para a J&F pede ainda outros esclarecimentos. O conglomerado precisará informar se a holding – bem como qualquer empresa do grupo, seus prepostos, funcionários ou sócios - atua ou atuou no inquérito que investiga supostas ameaças feitas contra Francisco de Assis, conselheiro da Eldorado Celulose.
A força-tarefa tomou conhecimento por meio da imprensa de que uma investigação foi aberta pela Polícia Civil de São Paulo a partir de petição da advogada Ana Flávia Rigamonti, ex-funcionária do escritório de Frederick Wassef. Os procuradores pedem que a J&F informe qual advogado representou a empresa/pessoa física a ela vinculada (se Ana Flávia, Wassef ou outro), quais atividades foram exercidas pelo profissional e como se deu o pagamento pelo serviço. Questionam também se a transação foi efetivada pela holding, ou por outras empresas do grupo, como a JBS, por exemplo.
O pedido pelas informações - acompanhadas de documentos comprobatórios como notas fiscais, procurações e peças processuais, por exemplo - ocorreu após a J&F relatar ao MPF não ter qualquer relação contratual com o escritório de Wassef. A afirmação foi apresentada em agosto pela empresa, após os procuradores questionarem o motivo do pagamento de R$ 9 milhões ao advogado. No ofício, a FT ressalta não requerer documentos protegidos por sigilo profissional (relativos a comunicação, correspondência, relacionamento ou estratégia de defesa entre advogado e cliente), nem sob segredo de Justiça.

