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Migrantes e refugiados: combate à xenofobia e relação com a mídia foram temas debatidos em Belém

Oficina com jornalistas e media training fizeram parte da programação de hoje do projeto Atuação em Rede, que continua até quinta-feira (26)

As primeiras atividades do projeto "Atuação em rede: capacitação dos atores envolvidos no acolhimento, integração e interiorização de refugiados e migrantes no Brasil" começaram nesta terça-feira (24), no auditório do Ministério Público Federal (MPF) em Belém. A cidade é um dos destinos, no Brasil, do fluxo migratório venezuelano e foi escolhida como o primeiro local a receber o projeto. Neste primeiro dia, ocorreram a oficina “Imprensa no combate à xenofobia contra refugiados e migrantes”, com a participação de jornalistas da cidade, e um media training para porta-vozes das instituições envolvidas na questão.

Informar melhor a população é um dos objetivos das capacitações. Pela manhã, o jornalista Leonardo Medeiros, da organização não governamental Conectas Direitos Humanos, reuniu-se com profissionais dos maiores veículos de imprensa local (rádio, TV, jornais e sites) para trocar experiências. A jornalista da Agência de Refugiados da ONU (Acnur) Victoria Hugueney também participou da atividade. Na ocasião, foi apresentado o perfil dos migrantes e refugiados e houve esclarecimentos sobre a nova lei de migrações (lei 13.445, de 24 de maio de 2017).

Segundo Medeiros, o trabalho com os jornalistas pode ser uma importante parceria para o combate a questões relacionadas à xenofobia no debate público. Para a jornalista Catarina Barbosa, do site Amazônia Real, que participou da capacitação, é importante haver ações de educação da população a fim de se evitar a disseminação de olhares de preconceito.

A jornalista Roberta Paraense, do Diário do Pará, explicou que a oficina vai contribuir muito com o trabalho de reportagem. Ela relata que escreveu uma das primeiras matérias locais sobre a chegada dos venezuelanos e que a desinformação sobre o assunto era evidente. “A única coisa que a gente sabia é que tinha chegado um barco com mais de 30 venezuelanos. Não sabíamos quem eles eram, de onde vieram. Então, foi muito complicado trabalhar com o assunto”. Para ela, um dos grandes desafios de sua investigação foi o esclarecimento de boatos. 

O diretor-geral da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU), João Akira Omoto, um dos organizadores do evento, esclareceu que o fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil é mínimo perto do que ocorre atualmente no mundo. “O grande impacto que sentimos é pelo nosso despreparo, por não termos políticas públicas adequadas para tratar da questão”, avaliou Akira. Para ele, é necessário trazer informações de qualidade para evitar o reforço de estereótipos e a discriminação dessas pessoas.

Media training Durante a tarde, 23 participantes de órgãos públicos e da sociedade civil estiveram presentes na oficina de media training. Representantes de secretarias estaduais, da Defensoria Pública Estadual e da União, da Universidade do Estado do Pará e do Ministério Público reuniram-se para falar sobre relacionamento com a imprensa. A oficina também teve exercícios práticos para que os participantes pudessem entrar em contato com conhecimentos básicos da formação de porta-vozes.

 

Confira as fotos do primeiro dia:

Oficina - Imprensa no combate à xenofobia contra refugiados e migrantes
Media training para porta-vozes envolvidos no acolhimento e integração de refugiados e migrantes

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