Instituições propõem encerrar dentro de um ano as atividades na UFPA do projeto Peludinhos
Representantes do Ministério Público Federal (MPF), da prefeitura de Belém, da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB/PA) e do projeto Peludinhos de proteção a animais decidiram elaborar plano de trabalho para encerrar em um ano as atividades do projeto no campus Guamá da Universidade Federal do Pará (PA), na capital paraense.
A decisão foi tomada nesta sexta-feira (05), em reunião realizada na sede do MPF em Belém para discutir as providências necessárias para a desativação do abrigo de animais na UFPA estabelecidas em recomendação do MPF publicada em setembro.
Para que a proposta possa ser implementada, o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão, Marcelo Santos Corrêa, vai solicitar ao reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Emmanuel Zagury Tourinho, que permita a utilização temporária da estrutura do projeto Victório, inicialmente montada para acolhimento de animais e que atualmente está destinada a projeto de ensino, pesquisa e extensão.
O objetivo das instituições e organizações idealizadoras da proposta é fazer um censo dos animais atendidos pelo projeto Peludinhos, identificá-los por meio de coleiras ou brincos, castrá-los, oferecer cuidados pós-operatórios e então encaminhá-los para adoção. Simultaneamente a essas iniciativas, a equipe do projeto Peludinhos fará campanha para arrecadação de recursos e construirá um novo abrigo em um terreno que será cedido pela prefeitura no distrito de Outeiro.
Representantes do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Belém, da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), informaram que estão à disposição para ir semanalmente à UFPA com veículo equipado para a realização das castrações.
Também participaram da reunião representantes da UFPA e o 1º promotor de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, Patrimônio Cultural, Habitação e Urbanismo de Belém, Benedito Wilson Correa de Sá, do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA).
Entenda o caso – O MPF abriu investigação sobre o tema em 2015, após receber denúncia de uma aluna deficiente visual que tinha dificuldade de andar pelo campus porque o cão-guia dela era atacado por cães abandonados no local.
Durante as investigações do caso, o MPF recebeu informações de que esses ataques são frequentes. Professores, alunos da UFPA e crianças que transitavam pelo campus já foram vítimas.
Segundo técnicos da universidade, além das doenças transmissíveis aos seres humanos diretamente pelos cães e gatos abandonados, há outro risco à saúde das pessoas: esses animais estão atraindo caramujos de uma espécie capaz de transmitir um tipo raro de meningite. A coordenação do projeto Peludinhos nega que tenham ocorrido casos de doenças zoonóticas.

