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MPF/RJ e município de Barra Mansa iniciam ações para criação de centro de memória em quartel da Ditadura

Audiência pública será realizada no dia 29 de março para informar atividades

Em reunião realizada na última quinta-feira, 25 de janeiro, o Ministério Público Federal em Volta Redonda (MPF/RJ) e o município de Barra Mansa iniciaram as ações do termo de ajustamento de conduta (TAC), firmado em novembro de 2016. O grupo de trabalho (GT) instituído pelo TAC apresentou o resultado dos trabalhos realizados desde o começo deste ano. No encontro foram apresentadas propostas e definidas prioridades para a criação do centro de memória no quartel da Ditadura e marcada uma audiência pública para o dia 29 de março para informar e consolidar as propostas.

O coordenador do GT e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Raphael Lima, apresentou as atas de reuniões do grupo e informou que está sendo produzindo um relatório. Previsto no TAC, o documento apontará os locais dos galpões onde o centro de memória deverá ser instalado e a infraestrutura necessária. Além disso, o espaço na área externa, onde havia a cela “submarino”, deverá ser protegido com medidas de tombamento e construção de monumento. Atualmente, no local funciona um depósito relacionado à atividades de assistência social.

O superintendente de cultura de Barra Mansa, Marcelo Bravo, manifestou a concordância do município com o TAC. Bravo também falou sobre a expectativa de que diversas manifestações culturais possam ocupar o espaço, desde que em consonância com a perspectiva do acordo, que é de defesa da memória e dos direitos humanos. Após descrever as atividades realizadas nos galpões, o superintendente fez questionamentos ao GT sobre a viabilidade de algumas medidas.

O procurador da República Julio José Araujo Junior conduz o caso e questionou o superintendente sobre o cumprimento de cláusula do TAC que prevê a instalação de conselhos populares no local. Questionado se a Casa de Conselhos estava situada num prédio próprio, o superintendente não soube informar. O prazo de execução é de 90 dias, contados de dezembro.  

“É necessário que haja uma preocupação de trazer as discussões dos conselhos para este espaço. Se não todos, pelo menos alguns”, afirmou o procurador da República. O superintendente afirmou que pretende apoiar a reunião do Conselho de Cultura no teatro situado no quartel.

A realização de grandes eventos no local também foi objeto de discussão. O procurador da República esclareceu que não há qualquer pretensão em proibir grandes eventos no local. No entanto, será necessário, a partir do TAC, que o GT se manifeste sobre a forma adequada de uso e discuta uma contrapartida em favor da manutenção do espaço e do centro de memória. O superintendente informou a existência de lei municipal sobre recursos advindos desses eventos e propôs a destinação de uma parte da receita do aluguel do espaço ao fundo de cultura e ao centro de memória.

Ao final, o procurador ressaltou a importância da participação dos grupos culturais da região e dos defensores de direitos humanos na ocupação informal do espaço, com a realização de pequenos eventos, debates e seminários. “Ao contrário do que algumas pessoas possam pensar, o TAC dará vida, cultura e democracia àquele espaço”, destacou o procurador da República Julio José Araujo Junior.

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