Você está aqui: Página Inicial / Notícias do Portal do MPF / MP Eleitoral apresenta balanço de atuação no primeiro semestre de 2018 no TSE

MP Eleitoral apresenta balanço de atuação no primeiro semestre de 2018 no TSE

Na última sessão da Corte, vice-PGE destacou a importância do uso da sistemática dos recursos repetitivos para reduzir o volume de processos que tramitam no TSE

O vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques, apresentou os números da atuação da Procuradoria-Geral Eleitoral no primeiro semestre de 2018, durante a sessão de encerramento do semestre Judiciário no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na última quinta-feira (28). Ao todo, foram recebidos pela instituição 4.023 processos oriundos do TSE. No período, a Procuradoria-Geral Eleitoral interpôs 399 recursos ao Tribunal e emitiu 4.364 manifestações.

Durante a sessão, Humberto Jacques salientou o empenho do Ministério Público Eleitoral em reduzir o volume de processos que tramitam atualmente na Corte Superior Eleitoral. No primeiro semestre deste ano, de forma inédita, o vice-PGE pediu ao TSE que adote a sistemática de recursos repetitivos, prevista no novo Código de Processo Civil, para decidir sobre casos que discutem questões jurídicas idênticas. A ferramenta possibilita o julgamento em massa de ações, que ficam suspensas nas instâncias inferiores até que o Tribunal Superior decida sobre a controvérsia a partir de um caso modelo. Isso garante o julgamento célere e uniforme de todas as demandas no país.

O primeiro dos quatro pedidos levados à Corte foi feito em ação que discute se o depósito eletrônico identificado poderá ou não substituir a transferência eletrônica em doações eleitorais iguais ou superiores a R$ 1.064,10. O recurso repetitivo, segundo Jacques, contribui para “reduzir a litigiosidade e o volume de processos no TSE, de forma a permitir que a Corte possa se dedicar com atenção e zelo aos casos mais emblemáticos e aos prazos exigentes da legislação eleitoral”. “Consideramos que alguns esforços devem ser feitos para a racionalização da movimentação”, frisou.

De acordo com dados do TSE, de janeiro a junho deste ano, a Corte autuou 1.162 processos, e baixou 1.427 uma diminuição de 7% em relação ao semestre anterior. A Procuradoria-Geral Eleitoral no TSE defendeu seu posicionamento em 1.079 pareceres enviados ao tribunal.

Eleições 2018 – No primeiro semestre, a Corte acolheu o posicionamento do MP Eleitoral na definição de teses que já terão efeito nas eleições deste ano. É o caso das consultas sobre o uso do nome social de transgêneros e travestis na urna e o financiamento de campanhas femininas.

Na primeira delas, o vice-PGE sustentou que candidatos transgêneros e travestis devem poder utilizar o nome social nas urnas eletrônicas, além de serem computados nas cotas de gênero com o qual se identificam. Para Humberto Jacques, a medida é fundamental para garantir o tratamento digno a essas pessoas na disputa eleitoral. O TSE seguiu o entendimento do MP Eleitoral e a prática deverá ser adotada nestas eleições.     

Na outra consulta, a procuradora-geral Eleitoral, Raquel Dodge, defendeu que as candidatas devem receber ao menos 30% de todos os recursos públicos dos fundos de campanha e do tempo de propaganda gratuita. A tese foi acolhida pela Corte. Ela ressaltou que a medida é necessária para promover a igualdade de gênero na política e mudar o atual quadro generalizado de subrepresentação feminina.

Na sessão da última quinta-feira (28), os ministros decidiram ajustar Resolução que trata sobre o tema, para explicitar que o “uso do recurso tem de ser feito no interesse da campanha da mulher”. A medida busca evitar que os recursos destinados às mulheres sejam doados a outros candidatos ou à propósito diverso do financiamento da participação feminina na política. A sugestão do ministro Luís Roberto Barroso segue entendimento do Ministério Público Eleitoral e busca coibir mecanismos de fraude ao cumprimento da cota de 30% de candidaturas femininas prevista na legislação.

login