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Nota técnica conjunta defende ingresso excepcional de venezuelanos em grave situação de vulnerabilidade

Nota técnica conjunta defende ingresso excepcional de venezuelanos em grave situação de vulnerabilidade

Representantes do Ministério Público Federal (MPF), da Defensoria Pública da União, do Ministério Público Estadual e da Defensoria Pública de Roraima estiveram na Casa Civil da Presidência da República, na tarde desta quarta-feira (3). O grupo entregou uma nota técnica conjunta na qual propõe o ingresso excepcional, em território brasileiro, de venezuelanos que estejam em grave situação de vulnerabilidade, desde que previamente autorizados pelas autoridades sanitárias, devido à pandemia mundial do novo coronavírus.

A nota técnica é fruto do trabalho conjunto desses órgãos que têm se reunido em busca de soluções alternativas para a crise migratória que afeta Roraima. Entre os signatários da nota pelo MPF, estão o procurador federal dos Direitos do Cidadão, Carlos Alberto Vilhena, e o procurador da República em Roraima, Alisson Marugal. A nota técnica propõe alteração na portaria interministerial com a flexibilização da restrição à entrada de estrangeiros, para admitir o ingresso e regularização migratória de pessoas em grave situação de vulnerabilidade. Caso não seja acolhida a proposta, sugere a edição de regulamentação específica para a hipótese de execução de ações humanitárias transfronteiriças prevista no artigo 4º, I, da Portaria nº 652/2021, assinada pelos ministros da Casa Civil, da Justiça e Segurança Pública e do Ministério da Saúde.

O documento traz o histórico da situação em Roraima. Conta que, desde março de 2020, uma sucessão de portarias interministeriais estabeleceu restrições excepcionais e temporárias à entrada no país. No entanto, a circulação de migrantes venezuelanos não foi de maneira alguma interrompida, sendo feita por passagens não reguladas. Isso gerou milhares de migrantes em situação irregular perante a Polícia Federal em Roraima – um dos estados mais afetados, estima-se o ingresso de 5 mil pessoas migrantes indocumentadas desde o início da pandemia de covid-19. A nota explica que, uma vez em território nacional, os migrantes se concentram na cidade de Pacaraima ou se deslocam clandestinamente para Boa Vista (RR) e outros destinos.

O crescimento da ocupação das ruas dessas cidades por pessoas em situação de vulnerabilidade tem impactado a Operação Acolhida, que atende os migrantes venezuelanos, numa atuação em parceria com agências da Organização das Nações Unidas e de outras entidades nacionais e internacionais. É grande o receio de que se repita o cenário de caos social vivenciado em Roraima em 2017 e no início de 2018. “Se não bastasse o iminente colapso da capacidade da Operação Acolhida em Roraima, os dados da situação epidemiológica do Estado de Roraima demonstram a ocupação de 100% dos leitos de terapia semi-intensiva e 80% dos leitos de UTI”, destaca a nota.

Para as autoridades que subscrevem a nota, a situação requer atenção a aspectos humanitários (acolhimento de pessoas mais vulneráveis), sanitários (controle de riscos epidemiológicos ante a realidade local) e estratégias de saída (interiorização). É consenso a viabilidade de acolhimento e regularização migratória dos seguintes grupos: crianças e adolescentes desacompanhadas ou acompanhados do núcleo familiar; pessoas com problemas graves de saúde; pessoas cuja integridade e segurança física estejam em risco.

Outro aspecto destacado na reunião é a necessidade de aporte de recursos orçamentários para que a Operação Acolhida tenha capacidade financeira de estruturar os fluxos necessários de acolhimento dos migrantes em situação de vulnerabilidade.

Também participaram da reunião o procurador de Justiça do Ministério Público de Roraima, Edson Damas, o secretário-geral de Articulação da Defensoria Pública da União, Gabriel Saad; a secretária-geral de Ações Estratégicas da Defensoria Pública da União, Roberta Alvim, e o defensor público de Roraima Rogenilton Ferreira Gomes.

Acesse aqui a íntegra da nota técnica.

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