MPF em Foz do Iguaçu recebe prêmio Valores da Comunidade
O Ministério Público Federal em Foz do Iguaçu, representado pelos procuradores Alexandre Halfen da Porciúncula, Daniela Caselani Sitta e Juliano Baggio Gasperin, recebeu no último dia 22 de setembro o prêmio Valores da Comunidade, por conta do trabalho realizado no combate à corrupção no município, em especial pela atuação na Operação Pecúlio. O caso se tornou o maior escândalo da história da cidade e desvendou uma série de crimes cometidos contra a Administração Pública Municipal.
Ao longo da operação já foram deflagradas oito fases, com a prisão de diversas pessoas, entre elas 12 vereadores da Câmara Municipal, e foram denunciados pelo menos 189 envolvidos em crimes como formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, peculato e fraude à licitação. Entre eles o ex-prefeito da cidade, Reni Pereira (PSC), que seria o líder da organização criminosa, e a primeira-dama e deputada estadual Cláudia Pereira (PSC).
A atuação do MPF em conjunto com a Polícia Federal desvendou um esquema montado dentro da Prefeitura Municipal com o objetivo de desviar dinheiro público. As apurações apontaram indícios de ingerência de gestores, de forma direta e indireta, em empresas contratadas para prestação de serviços e realização de obras junto à prefeitura com quantias milionárias de recursos públicos federais provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Sistema Único de Saúde (SUS).
Também foi constatado, durante as investigações, o pagamento de uma espécie de "mensalinho" aos vereadores em troca de apoio político para projetos de interesse do Poder Executivo, indicação de familiares dos parlamentares para cargos na prefeitura e em empresas terceirizadas, e ainda o recebimento de propina para privilegiar o pagamento de empresas com contratos com a administração local. Agentes públicos da prefeitura utilizaram recursos federais desviados de obras e serviços para promover o pagamento das vantagens indevidas aos membros do Poder Legislativo.
Cinco ações penais do caso já tiveram sentenças proferidas, somando um total de 107 anos e 8 meses de pena contra 23 pessoas. Os demais processos seguem em trâmite na 3ª Vara Federal de Foz do Iguaçu. O MPF recorreu à Justiça da absolvição de alguns réus e também para aumentar as penas aplicadas.
O prêmio foi concedido pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e destaca o trabalho desenvolvido pelos procuradores no combate à corrupção no Município de Foz do Iguaçu.

