Lançamento de documentário sobre Pedro Jorge lota cinema São Luiz, no Recife
O cinema São Luiz, no centro do Recife, às margens do Rio Capibaribe, foi palco de uma noite emocionante na última segunda-feira, 27 de março. Na sala de exibição mais antiga da cidade, inaugurada em 1952, cerca de mil pessoas assistiram à sessão de lançamento do documentário “Pedro Jorge: uma vida pela justiça”, produzido pela Procuradoria Regional da República da 5ª Região (PRR5) em parceria com a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Os 300 ingressos oferecidos gratuitamente para o público na bilheteria do cinema esgotaram-se em menos de uma hora. O lançamento teve a presença do secretário-geral do MPF, Blal Dallou, que representou, na ocasião, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, da família de Pedro Jorge e de outras autoridades.
Ao longo de 41 minutos, o média-metragem resgata um importante episódio da história do país, trazendo um relato sobre o assassinato do procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva, membro do Ministério Público Federal (MPF) que denunciou o chamado “Escândalo da Mandioca”. Esse foi um esquema de desvio de recursos públicos federais que funcionava no município de Floresta, Sertão de Pernambuco, no início da década de 1980, em meio à ditadura militar. O caso, ocorrido há 35 anos, teve repercussão nacional.
O evento teve início com breves palavras do procurador-chefe da PRR5, Marcelo Alves, e do reitor da Unicap, Pe. Pedro Rubens, que fizeram agradecimentos e apresentaram a equipe que produziu o documentário. O secretário-geral do MPF, Blal Dallou, também fez algumas considerações sobre a importância desse resgate histórico antes de começar o filme. A exibição foi marcada por muita emoção do público, que reagiu nos momentos de declarações fortes feitas pelos entrevistados no documentário e aplaudiu de pé ao final da apresentação.
Construída com vários depoimentos, fotografias, matérias de jornais e imagens de TV da época dos fatos, a narrativa mostra um pouco da vida de Pedro Jorge, que foi seminarista e estudou no Mosteiro de São Bento antes de ingressar na Faculdade de Direito do Recife. O média-metragem também aborda as ameaças que o procurador sofreu quando começou a atuar no processo, e sua coragem de prosseguir com o trabalho, apesar das intimidações que recebia.
Após a exibição do documentário, foi realizado um debate mediado por Marcelo Alves, com participação do advogado Gilberto Marques, assistente de acusação no processo criminal que levou à condenação dos assassinos de Pedro Jorge, da jornalista Letícia Lins, que cobriu o caso na época pelo Jornal do Brasil, e do Irmão Irineu Marinho, colega de seminário e amigo próximo de Pedro Jorge.
Para o secretário-geral do MPF, Blal Dallou, o evento esteve à altura do documentário. “Foi uma oportunidade ímpar de rememorarmos e refletirmos sobre a história de um homem de fé e de coragem que, contra tudo e contra todos, não mediu sacrifícios no combate à corrupção. O MPF mudou. Perderíamos outras vidas, não fosse assim. Devemos esse legado ao inesquecível Pedro Jorge”, declarou.
Além de Blal Dallou, estiveram presentes ao evento a esposa de Pedro Jorge, Maria das Graças Viegas, e as duas filhas do casal, Roberta e Marisa, além de outros familiares e amigos do procurador. O lançamento do audiovisual foi prestigiado por diversas autoridades, como o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, José Robalinho, o presidente da Fundação Pedro Jorge, Alexandre Camanho, o chefe da Procuradoria da República em Pernambuco, Luiz Vicente Neto, entre outros. Três subprocuradores-gerais da República vieram de Brasília para o Recife apenas para assistir à primeira exibição pública do documentário: Maria Eliane Menezes de Farias, Rachel Dodge e Sady Torres. A plateia também reuniu membros de outros ramos do Ministério Público, desembargadores federais, deputados, advogados e pessoas ligadas à Igreja Católica, além de artistas, professores, estudantes e jornalistas.

