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MPF e DP/ES viabilizam acordo de indenização para camaroeiros atingidos pelo Desastre do Rio Doce

Foram quase três anos de negociação até que os trabalhadores da praia do Suá fossem reconhecidos como atingidos pelo desastre

O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo viabilizaram a assinatura de um acordo de indenização para, pelo menos, 190 atingidos pelo Desastre do Rio Doce. Ao todo, 39 embarcações e 192 pessoas serão beneficiadas pelo acordo, que engloba proprietários, mestres e tripulantes que compõem a cadeia da pesca da praia do Suá. O documento foi assinado no último sábado (14). O acordo é inédito no contexto do desastre do Rio Doce por trazer novos referenciais para o processo de reparação, especialmente no que diz respeito ao papel dos atingidos na construção da política reparatória.

O procurador da República em Linhares (ES), Paulo Henrique Trazzi, destaca que “esse foi um trabalho integrado e coordenado, cujo protagonismo foi dos atingidos. Por isso, o resultado é tão gratificante”. Esta é uma importante conquista dos atingidos. Tenho um grande otimismo de que os referenciais deste processo possam ser replicados e possibilitem o avanço do processo reparatório no Espírito Santo. Atualmente temos em torno de 100 mil atingidos cadastrados e apenas 8 mil indenizados. A vulnerabilidade social é o grande desafio do processo reparatório e é onde a Defensoria tem buscado focar todos os seus esforços”, afirma o defensor público Rafael Portella.

Desastre. Com a vinda dos rejeitos de minério, a foz do Rio Doce, principal repositório de espécies de camarão, foi impactada, ocasionando a sua diminuição abrupta e a necessidade de que as embarcações percorressem distâncias maiores para continuar pescando, o que, por sua vez, ocasionou gastos e prejuízos.

Em abril de 2018, foi constituído um Grupo de Trabalho com o objetivo de compreender os danos e estimar as indenizações pelos prejuízos sofridos pelos camaroeiros da Praia do Suá. O GT foi composto por representantes do MPF, DPES, DPU, órgãos ambientais, Superintendência da Pesca no ES, Fundação Renova e pelo Sindicato dos Pescadores Autônomos do Estado do Espírito Santo (Sindpesmes), que representaram os camaroeiros em todo o processo de negociação.

Apesar da assinatura do acordo, o Grupo de Trabalho continuará em atividade para avaliar os impactos na cadeia de pesca dos camaroeiros, que compreende as atividades de apoio formada por profissionais como: comerciantes, vendedores de gelo, estivadores, pintores e mecânicos, entre outros.

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