MPF/RJ recomenda que antigo quartel se torne centro de memória em Barra Mansa
O Ministério Público Federal em Volta Redonda (RJ) recomendou à Prefeitura de Barra Mansa (RJ) que a área correspondente ao antigo quartel do 1º Batalhão de Infantaria Blindada (1º BIB) seja transformado em um centro histórico em favor das vítimas da ditadura civil-militar. O MPF recomendou ainda que sejam realizadas parcerias com instituições públicas e entidades privadas comprometidas com os direitos humanos para a montagem do referido centro.
Com a suposta finalidade de apurar o consumo e o tráfico de maconha no batalhão, 15 soldados foram torturados por vários métodos como barra de ferro, palmatoriado de tacape indígena, choques elétricos com fios, torno de prensa, levando à morte quatro deles: Geomar Ribeiro da Silva, Wanderley de Oliveira, Juarez Monção Virote e Roberto Vicente da Silva. Todos tinham 19 anos.
Na época, foi feita denúncia à auditoria militar no Rio de Janeiro, com o apoio do Bispo Dom Waldyr Calheiros, da diocese de Volta Redonda e Barra do Piraí, o que obrigou o Exército a instaurar inquérito civil público militar. Após apuração na Justiça Militar, houve a condenação dos militares Dálgio Miranda Niebus (capitão), Paulo Raynarde Miranda da Silva (2° tenente), Ivan Etel de Oliveira (3º sargento), Rubens Martins de Souza (3° sargento), Sidney Guedes (3° sargento), José Augusto Cruz (cabo) e Celso Gomes de Freitas Filho (cabo) pela prática de torturas (lesões), homicídio, ocultação de cadáver e dano ao patrimônio público. Outros dois civis, Nelson Ribeiro de Moura e Iranildes Ferreira, também foram condenados pela prática de ocultação de cadáveres.
O episódio ficou conhecido como um dos primeiros em que a própria ditadura condenou militares pela prática de tortura, no ano de 1973, e ganhou repercussão nacional, sendo relatada pelo jornalista Elio Gaspari em seu livro “A Ditadura Escancarada”, no qual narra a morte dos quatro soldados. O livro também afirma que “a oficialidade do 1º BIBI sabia o que acontecia no Arquivo” e seus fatos narrados respaldam os testemunhos dos militantes políticos de que o 1° BIB era uma “sucursal do inferno”, onde as torturas eram praticadas cotidianamente com a finalidade de perseguir politicamente opositores.
Em reuniões com os soldados sobreviventes e com seus familiares, o MPF em Volta Redonda constatou que não havia sido formulado qualquer requerimento junto à Comissão de Anistia e enviou a este órgão no ano passado os pedidos dos soldados, que aguardam deliberação.
No requerimento, o MPF pede que sejam considerados anistiados políticos os então militares Nilson Senhorim Marcatto, Geomar Ribeiro da Silva, Aparecido Dias Machado, Vanderlei de Oliveira, Roberto Vicente da Silva e José Getúlio Novo Pauferro. Outros requerimentos ainda poderão ser encaminhados, a depender do interesse dos sobreviventes ou de seus familiares.
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